Os preços do açúcar registraram alta nos mercados futuros nesta semana diante de sinais de que as exportações brasileiras poderão ficar mais restritas, influenciadas pela valorização do real frente ao dólar e expectativas de menor oferta externa.
Os contratos do açúcar bruto negociados na Bolsa de Nova York fecharam em alta de cerca de 1,49%, a 15,03 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco negociado em Londres avançou aproximadamente 0,97% na última sessão, fechando a US$ 429,30.
Um dos principais fatores de sustentação dos preços tem sido a forte valorização do real frente ao dólar. Esse movimento tende a reduzir a competitividade do açúcar brasileiro no mercado internacional, ao tornar os embarques mais caros para os compradores externos, o que pode limitar o ritmo das exportações.
Como o Brasil é o maior exportador global de açúcar, qualquer sinal de desaceleração nos embarques costuma ser rapidamente precificado pelo mercado. Nesse contexto, a expectativa de volumes mais contidos no curto prazo tem oferecido suporte às cotações nas bolsas internacionais.
Produção global segue elevada
Apesar do suporte vindo do lado das exportações brasileiras, as projeções globais seguem apontando para um cenário de oferta ampla. Estimativas indicam que a produção mundial de açúcar na temporada 2025/26 pode alcançar cerca de 189,3 milhões de toneladas, volume considerado recorde.
Para o Brasil, a produção é estimada em aproximadamente 44,7 milhões de toneladas, alta de cerca de 2,3% em relação à safra anterior. Já a Índia deve registrar crescimento expressivo, com avanço estimado em 25%, refletindo condições climáticas mais favoráveis e maior área cultivada.
Mesmo diante de um quadro de produção elevada, o mercado tem direcionado sua atenção, no curto prazo, ao comportamento das exportações brasileiras e ao impacto do câmbio sobre a competitividade do açúcar no mercado internacional.
A percepção de um fluxo exportador mais moderado tem sido suficiente para sustentar os preços neste momento, enquanto agentes acompanham a evolução do balanço global de oferta e demanda e os próximos movimentos do mercado cambial.
Com informações da Barchart