Os preços internacionais do açúcar esboçaram recuperação nesta quarta-feira, impulsionados pela valorização do real brasileiro frente ao dólar, movimento que reduziu o apetite por exportações por parte dos produtores do Brasil. A reação, no entanto, ocorreu em um ambiente ainda marcado por fundamentos amplamente ofertados, com aumento da produção nos principais países produtores e perspectiva de superávit global.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março encerrou em alta de 0,02 centavo de dólar, ou 0,1%, a 14,74 centavo de dólar por libra-peso. Já o contrato de açúcar branco para março teve queda de US$ 1,40, ou 0,3%, indo a US$ 421,10 por tonelada.
Segundo dados da Unica, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26 atingiu 40,222 milhões de toneladas até dezembro, crescimento de 0,9% na comparação anual. O mix também se mostrou mais açucareiro, com 50,82% da cana destinada à produção de açúcar, frente a 48,16% no mesmo período da safra 2024/25.
Apesar do suporte cambial pontual, o mercado segue atento à perspectiva de excesso de oferta global. A Covrig Analytics revisou para cima sua estimativa de superávit global de açúcar em 2025/26, elevando a projeção para 4,7 milhões de toneladas, ante 4,1 milhões estimados anteriormente. Para a safra 2026/27, a consultoria projeta um superávit menor, de 1,4 milhão de toneladas, em função do impacto de preços mais baixos sobre as decisões de produção.
A Índia também reforça o viés baixista do mercado. De acordo com a India Sugar Mill Association (ISMA), a produção de açúcar do país na safra 2025/26 somou 15,9 milhões de toneladas entre 1º de outubro e 15 de janeiro, avanço de 22% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Em novembro, a entidade elevou sua estimativa de produção total para 31 milhões de toneladas, crescimento anual de 18,8%.
Além do avanço produtivo, a ISMA reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 milhões de toneladas, ante 5 milhões projetados anteriormente, movimento que pode ampliar o potencial exportador indiano. Como a Índia ocupa a posição de segundo maior produtor global de açúcar, esse fator adiciona pressão adicional sobre os preços internacionais.