Cenário de maior produção mundial do açucar e excedentes projetados para as próximas safras pressiona cotações em Nova York e Londres
Os preços internacionais do açúcar aprofundaram a trajetória de queda nesta semana, pressionados pelas expectativas de ampliação dos superávits globais e pelo aumento da produção mundial. Na sexta-feira, o açúcar negociado em Nova York recuou para o menor nível em dois meses e meio, enquanto o contrato em Londres atingiu a mínima em cinco anos.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em queda diária de 0,43 centavo de dólar, ou 2,9%, indo a 14,27 centavos por libra. Na sessão, ele chegou a atingir uma mínima de 2 meses e meio, de 14,15 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco caiu 1,7%, para US$ 405,10 a tonelada, tendo perdido 3,3% na semana.
Segundo a consultoria Green Pool Commodity Specialists, a projeção é de um superávit global de açúcar de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Na mesma linha, a StoneX informou que espera um excedente global de 2,9 milhões de toneladas em 2025/26.
No Brasil, dados divulgados na última quarta-feira pela Unica indicam que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul da safra 2025/26, até dezembro, somou 40,222 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% na comparação anual. O levantamento também mostra aumento no direcionamento da cana para a produção de açúcar, com o mix açucareiro avançando para 50,82%, frente a 48,16% no ciclo anterior.
A pressão adicional sobre os preços vem da Índia. A India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção indiana de açúcar entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 alcançou 15,9 milhões de toneladas, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em novembro, a entidade revisou sua estimativa de produção total da safra para 31 milhões de toneladas, ante projeção anterior de 30 milhões, o que representa crescimento anual de 18,8%.
A associação também reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da previsão de 5 milhões divulgada em julho. A revisão abre espaço para um aumento das exportações do país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Os preços internacionais seguem pressionados pela expectativa de maior oferta indiana no mercado global. Segundo declarações do secretário de Alimentos da Índia, o governo pode autorizar exportações adicionais de açúcar como forma de reduzir o excedente interno. Em novembro, o Ministério da Alimentação do país já havia informado que permitiria a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26.
A Índia adotou um sistema de cotas para exportações de açúcar a partir da safra 2022/23, após chuvas tardias reduzirem a produção e limitarem a oferta doméstica.
Com informações da Barchart