Término do período de moagem revela queda de ATR e de etanol de cana, mas produção de açúcar cresce e operação de milho ganha relevância no desempenho consolidado da São Martinho
A São Martinho reportou EBITDA ajustado de R$ 787,1 milhões no terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26), com margem de 49,4%, em um período marcado pelo término da moagem e por impactos climáticos sobre a produtividade agrícola. No acumulado de nove meses da safra (9M26), o EBITDA ajustado somou R$ 2,409 bilhões, com margem de 46,4%, refletindo, de acordo com a companhia, a estratégia comercial adotada ao longo do período e a diversificação do portfólio industrial.
Ao término do período de moagem — conforme fato relevante divulgado em novembro de 2025 — a São Martinho processou aproximadamente 21,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 0,5% inferior ao da safra anterior. Segundo o relatório divulgado pela companhia, a performance operacional foi impactada principalmente pela menor ocorrência de chuvas durante o período de crescimento do canavial, o que resultou em queda de 3,8% na produtividade agrícola e redução de 2,2% no ATR médio.
Como consequência desse cenário climático mais adverso, a produção de ATR proveniente da cana-de-açúcar totalizou cerca de 3.021 mil toneladas, recuo de 2,7% na comparação anual. Ainda assim, de acordo com a São Martinho, a produção de açúcar apresentou crescimento e atingiu aproximadamente 1,4 milhão de toneladas, avanço de 7,1% em relação à safra passada, beneficiado por uma base de comparação mais fraca e pela recuperação operacional frente aos impactos de queimadas observados no ciclo anterior.
A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar somou cerca de 1,1 milhão de metros cúbicos, queda de 7,9% frente à safra anterior, refletindo diretamente, conforme apontado no relatório, a menor disponibilidade de matéria-prima no encerramento da moagem.
Etanol de milho e subprodutos ganham peso no mix industrial
Paralelamente às operações com cana, a São Martinho manteve a operação de milho alinhada ao guidance da safra 2025/26. Segundo informações da companhia, no acumulado do 9M26 foram processadas 415,5 mil toneladas de milho, resultando na produção de 175,0 mil metros cúbicos de etanol, 111,7 mil toneladas de DDGS e 6,2 mil toneladas de óleo de milho.
Ainda de acordo com o relatório, a operação de milho adicionou 305,1 mil toneladas de ATR ao resultado consolidado e contribuiu com R$ 213,3 milhões de EBITDA e R$ 196,6 milhões de EBIT, compensando parcialmente os impactos da menor produção de etanol de cana e reforçando a importância estratégica do biocombustível de segunda matéria-prima no portfólio da companhia.
Considerando cana e milho, a produção total de ATR ao final do 3T26 atingiu 3.326 mil toneladas, queda de 2,1% na comparação anual, conforme dados divulgados pela São Martinho.
Além do core sucroenergético, a companhia registrou crescimento relevante nas receitas de energia elétrica, que avançaram 6,2% no 3T26 e 21,1% no acumulado da safra, movimento atribuído, segundo a São Martinho, ao início do período contratual da UTE Fase II na Unidade São Martinho.
As receitas com DDGS cresceram 7,4% no trimestre e 20,7% no 9M26, enquanto a levedura apresentou expansão expressiva, com alta de 97,0% no 3T26, refletindo, de acordo com a companhia, a normalização da produção após os impactos de incêndios registrados na safra anterior.
Desempenho financeiro reflete estratégia comercial e maior alavancagem
A receita líquida da companhia somou R$ 1,593 bilhão no 3T26, queda de 13,6% em relação ao 3T25, impactada principalmente pelo menor volume comercializado de etanol, em função da estratégia de alocação de produto para o quarto trimestre da safra, além da redução nas vendas de CBIOs, conforme detalhado no relatório. No acumulado do 9M26, a receita líquida totalizou R$ 5,190 bilhões, retração de 4,9%.
O lucro líquido caixa alcançou R$ 424,1 milhões no 3T26, avanço de 168,5% na comparação anual, influenciado por créditos de subvenção e efeitos de marcação a mercado de derivativos. No acumulado da safra, o lucro líquido caixa foi de R$ 663,3 milhões, crescimento de 46,9%, de acordo com a São Martinho.
Em 31 de dezembro de 2025, a dívida líquida atingiu R$ 5,8 bilhões, alta de 17,5%, decorrente principalmente de novas captações via debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), segundo o relatório financeiro da companhia.
Investimentos avançam com foco em etanol de milho, irrigação e biometano
Os investimentos ganharam ritmo ao longo do terceiro trimestre da safra 2025/26, acompanhando a normalização do cronograma operacional após a safra anterior. O Capex de Manutenção totalizou R$ 510,6 milhões no 3T26, alta de 9,0% em relação ao mesmo período da safra passada. No acumulado dos nove meses, os investimentos em manutenção somaram R$ 1,249 bilhão, crescimento de 5,3%, conforme divulgado pela São Martinho.
Segundo a companhia, o maior desembolso está associado à normalização das atividades de entressafra, uma vez que, na safra 2024/25, o período de colheita se estendeu até o fim de dezembro.
Os aportes em Melhoria Operacional atingiram R$ 67,5 milhões no 3T26 e R$ 129,8 milhões no acumulado do 9M26, avanço de 32,1% na comparação anual. Já o Capex de Expansão somou R$ 271,9 milhões no trimestre e R$ 452,6 milhões no acumulado da safra, direcionado principalmente à segunda fase do projeto de etanol de milho e à aquisição de ativos biológicos da Unidade Santa Elisa, conforme fato relevante divulgado em julho de 2025.
O montante investido também contempla a continuidade de projetos aprovados, incluindo o plano de irrigação nas unidades São Martinho e Santa Cruz, a manutenção não recorrente da caldeira da Unidade Iracema e o projeto de biometano na Unidade Santa Cruz, este em fase final de desembolso.
Natália Cherubin para RPAnews