Com maior direcionamento do mix para açúcar e avanço na produtividade agrícola, a CerradinhoBio ampliou receita e reduziu alavancagem para 1,74x
A CerradinhoBio encerrou os nove primeiros meses da safra 2025/26 com moagem de 5,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 4,9% na comparação anual, além do processamento de 1,143 milhão de toneladas de milho, avanço de 2,4%. No período, a companhia produziu 687,2 mil metros cúbicos de etanol (em equivalente hidratado), sendo aproximadamente 75% oriundos do milho, e 421,1 mil toneladas de açúcar VHP, volume 199,6% superior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior, de acordo com relatório e release de resultados divulgados pela empresa.
Segundo a CerradinhoBio, o avanço operacional foi impulsionado principalmente pela mudança no mix produtivo. O direcionamento para açúcar atingiu 64% no 9M26, ante 23% no ciclo anterior, estratégia que, conforme informado, esteve amparada por fixação prévia de preços via hedge. A participação de cana própria no processamento também avançou, passando de 52% para 62% no período.
De acordo com o relatório, a produtividade agrícola (TCH) alcançou 80 toneladas por hectare, reflexo de condições climáticas mais favoráveis, com volume de chuvas 28% superior ao registrado no mesmo período da safra passada.
Na frente industrial, a produção de etanol de milho somou 679 mil m³, enquanto o etanol de cana totalizou 326 mil m³. O mix de anidro na unidade Neomille avançou para 35%, ante 24% no 9M25. Conforme divulgado, o preço líquido médio do etanol registrou alta de 13%, passando de R$ 2,65 por litro para R$ 2,99 por litro no acumulado da safra.
A companhia também destacou a maior contribuição dos coprodutos do milho. O índice de cobertura (NCC) atingiu 43%, ante 37% no ciclo anterior. Os preços médios dos DDGs avançaram 12%, enquanto o óleo de milho apresentou valorização de 30%, com rendimento médio de 18,7 kg por tonelada processada.
No açúcar, a CerradinhoBio informou manter elevada fixação de preços. Segundo a empresa, 100% da safra 2025/26 está comercializada ao preço médio de R$ 2.369 por tonelada; 88% da safra 2026/27 a R$ 2.355/t; e 17% da 2027/28 a R$ 2.718/t.
A receita líquida consolidada somou R$ 3,251 bilhões no 9M26, crescimento de 19% na comparação anual. De acordo com a companhia, o desempenho reflete maior diversificação do portfólio e redução de aproximadamente 11 pontos percentuais na participação do etanol na composição da receita.
EBITDA sobe 36% e alavancagem cai para 1,74x
O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 1,196 bilhão no acumulado da safra, avanço de 36% frente ao 9M25, com margem de 37%, ante 32% no ciclo anterior, conforme detalhado no relatório. O EBIT ajustado somou R$ 782 milhões, crescimento de 38%, enquanto o lucro líquido consolidado alcançou R$ 312 milhões, alta de 71% na comparação anual.
Segundo a companhia, o custo caixa do etanol de cana apresentou redução em função do maior volume moído e do menor Consecana, enquanto no negócio milho permaneceu praticamente estável, com preço médio de aquisição de R$ 53,5 por saca, ante R$ 52,6 no ciclo anterior.
A dívida líquida totalizou R$ 2,524 bilhões ao final de dezembro de 2025, alta de 10% em relação a março do mesmo ano. Ainda assim, a alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA Ajustado LTM) recuou de 2,01x para 1,74x, refletindo, segundo a empresa, a expansão da geração operacional de caixa.
O caixa e aplicações financeiras somavam R$ 1,607 bilhão ao fim do período, com índice de liquidez de 2,22x. A companhia informou ainda que 100% da dívida está denominada em moeda nacional, com prazo médio de 4,95 anos e rating brAA (Perspectiva Estável) atribuído pela S&P.
No período, o capex de expansão somou R$ 158 milhões, redução de 60,5% na comparação anual. De acordo com a CerradinhoBio, a geração operacional de caixa foi suficiente para cobrir investimentos de manutenção, formação de estoques e serviço da dívida.
Natália Cherubin para RPAnews