Os preços do açúcar avançaram de forma significativa nesta quarta-feira (19), impulsionados por sinais de redução na produção brasileira.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou com alta de 0,31 centavo de dólar, ou 2,2%, indo a 14,17 centavos de dólar por libra-peso. Com isso, o contrato mais ativo de açúcar branco ganhou 1,3%, para US$ 407,90 por tonelada.
O mercado registrou forte valorização, com o açúcar em Nova York atingindo a máxima em uma semana. O movimento foi sustentado após a Unica informar que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro caiu -36% na comparação anual, totalizando apenas 5 mil toneladas métricas (MT).
Apesar da forte queda pontual, a produção acumulada da safra 2025/26 na região Centro-Sul até janeiro registra alta de +0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando 40,24 milhões de toneladas métricas (MMT). Outro dado relevante é que a proporção da cana destinada à produção de açúcar subiu para 50,74% em 2025/26, ante 48,14% na safra 2024/25.
Queda prolongada e pressão de superávit global
Na última quinta-feira, os preços do açúcar haviam ampliado uma sequência de quedas que já durava cinco meses, atingindo os níveis mais baixos para o primeiro vencimento em 5,25 anos. A principal pressão sobre as cotações vem das preocupações com a manutenção de um superávit global da commodity.
Na semana passada, analistas da trading Czarnikow projetaram um superávit global de 3,4 MMT na safra 2026/27, após um excedente estimado em 8,3 MMT em 2025/26.
A consultoria Green Pool Commodity Specialists informou em 29 de janeiro que espera um superávit global de 2,74 MMT em 2025/26 e de 156 mil MT em 2026/27.
Já a StoneX afirmou na última sexta-feira que projeta um superávit mundial de 2,9 MMT na safra 2025/26.
Produção da Índia avança 22%
A India Sugar Mill Association (ISMA) informou em 19 de janeiro que a produção de açúcar da safra 2025/26 na Índia, no período de 1º de outubro a 15 de janeiro, avançou +22% na comparação anual, alcançando 15,9 MMT.
Em 11 de novembro, a entidade elevou sua estimativa de produção indiana para 2025/26 para 31 MMT, ante previsão anterior de 30 MMT, representando crescimento de +18,8% na comparação anual. O aumento ocorre após o país registrar sua temporada de monções mais forte dos últimos cinco anos.
A ISMA também reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 MMT, abaixo da projeção de 5 MMT divulgada em julho, o que pode abrir espaço para um aumento nas exportações do país. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.