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Alta do diesel encarece produção de cana: impacto chega a R$ 3,25 por tonelada

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R$ 1 a mais por litro de diesel representa um aumento de R$ 250 por hectare no custo de produção de cana, ou 3,25 R$/t.

O consumo específico de diesel é um indicador de desempenho importante na produção de cana e comumente encontrado nos relatórios operacionais das empresas. Ou, pelo menos, deveria ser, dada a importância de tal insumo na cadeia (e o atual contexto, novamente, nos mostra isso).

Para se produzir cana, gasta-se, em média, cerca de 250 litros de diesel por hectare. Isso considerando todas as atividades agrícolas, desde o preparo de solo, passando por plantio, tratos culturais, colheita, transbordo e apoio, até chegarmos ao transporte da cana. Aliás, esta última etapa, o CTTA, que, a grosso modo, é a retirada da matéria-prima do campo e seu encaminhamento até a unidade industrial, representa em torno de 70% desse consumo.

Portanto, se temos 250 L/ha e o preço do diesel sobe 1 R$/L, adicionamos R$ 250/ha ao custo do sistema. Outra forma de analisar o impacto é relativizar por tonelada de cana. Considerando que, em média, a produtividade do Centro-Sul canavieiro é de 77 t/ha, basta relacionar os números. Ou seja, dividindo-se 250 L/ha por 77 t/ha, temos um consumo específico de diesel na cana de 3,25 L/t. Logo, se você ligar “lé com cré”, entende-se que, a cada 1 R$/L de aumento no diesel, o custo de produção de cana sobe 3,25 R$/t.

Para finalizar minhas regras de três. Em uma relação de troca, se considerarmos o preço de R$ 150 por tonelada de cana, temos que produzir de 1,5 a 2 t de cana a mais por hectare para mitigar cada 1 R$ que sobe o litro do diesel.

No fim, embora o preço do diesel esteja fora do nosso controle, seus impactos não estão. Ganhos de produtividade seguem sendo o principal caminho para diluir custos e compensar essa pressão. Em paralelo, melhorar o consumo específico — com mais eficiência operacional e menos desperdício — deixa de ser detalhe e passa a ser determinante de resultado. Em um cenário como esse, produzir melhor é a forma mais direta de proteger margem.

 

*João Rosa, o Botão é engenheiro agrônomo e sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos

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Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

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