Os preços do açúcar recuaram para mínimas de duas semanas nesta quarta-feira (1º), pressionados principalmente pela queda do petróleo, que reduz a competitividade do etanol e tende a estimular maior produção de açúcar pelas usinas, segundo análise da Barchart.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio encerrou a sessão com queda de 1,5%, a 15,29 centavos de dólar por libra-peso, caindo em relação à máxima de cinco meses registrada na segunda-feira, de 16,10 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco fechou em queda de 1,4%, a US$ 442,10 a tonelada.
No mercado futuro, o contrato maio do açúcar bruto em Nova York caiu cerca de 1,5%, enquanto o açúcar branco em Londres recuou em magnitude semelhante, refletindo um movimento de ajuste após recentes máximas.
A desvalorização do petróleo — que registrou queda próxima de 1% no dia — impacta diretamente a formação de preços do etanol, reduzindo sua atratividade frente ao açúcar. Com isso, cresce o incentivo para que usinas direcionem maior parcela da cana à produção do adoçante, ampliando a oferta global e pressionando as cotações.
No Brasil, esse movimento já encontra respaldo nos dados mais recentes de produção. De acordo com a UNICA, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 avançou 0,7% na comparação anual, alcançando cerca de 40,25 milhões de toneladas. No mesmo período, o mix açucareiro subiu para 50,61%, ante 48,08% no ciclo anterior, indicando maior direcionamento da cana para o açúcar.
Apesar da pressão baixista, o mercado encontra algum suporte no câmbio. A valorização do real frente ao dólar — que atingiu máxima de três semanas — tende a desestimular as exportações brasileiras, reduzindo a competitividade externa e limitando parte da oferta no mercado internacional.
Outro fator de sustentação vem do cenário logístico global. Interrupções no fluxo comercial, como restrições no Estreito de Ormuz, têm impactado parte relevante do comércio mundial de açúcar, restringindo a oferta de produto refinado, de acordo com a Covrig Analytics.
Ainda assim, o pano de fundo segue desafiador. O mercado continua precificando a perspectiva de superávit global nas próximas safras. Projeções de consultorias como Czarnikow e Green Pool indicam excedentes tanto em 2025/26 quanto em 2026/27, o que mantém o viés estrutural de pressão sobre os preços.
Com informações da Barchart

