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Raízen apresenta aos credores plano de reestruturação baseado em ativos operacionais e geração de caixa

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Materiais apresentados a credores mostram proposta preliminar de reestruturação financeira, venda de ativos e aposta da companhia na força operacional dos negócios de combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia

A Raízen informou nesta terça-feira, 27, por meio de fato relevante, que disponibilizou em seu site de Relações com Investidores materiais compartilhados com grupos de credores financeiros no âmbito das negociações relacionadas ao plano de recuperação extrajudicial da companhia. Segundo a empresa, os documentos integram o processo de divulgação de informações conhecido como “blowout” e foram tornados públicos para assegurar transparência e igualdade de acesso às informações durante as negociações.

De acordo com a companhia, os materiais incluem informações operacionais, financeiras e estratégicas utilizadas nas discussões com credores financeiros quirografários, além de projeções e estimativas elaboradas exclusivamente para as negociações do plano de reestruturação. A Raízen ressaltou, entretanto, que os dados prospectivos não configuram guidance oficial da companhia e estão sujeitos a riscos, incertezas e alterações ao longo do processo.

O documento também esclarece que os termos econômicos da proposta ainda estão em negociação e não houve, até o momento, formalização definitiva das condições relacionadas à recuperação extrajudicial.

Materiais descrevem alongamento de dívida e venda de ativos

Segundo os materiais apresentados aos credores, a Raízen possuía dívida total de aproximadamente R$ 75,3 bilhões em março de 2026, dos quais cerca de R$ 65,4 bilhões estão sujeitos ao processo de recuperação extrajudicial.

Os materiais descrevem uma proposta preliminar que vem sendo discutida com credores e que prevê combinação de reperfilamento da dívida, emissão de novos instrumentos financeiros de longo prazo e conversão parcial do passivo em ações da companhia. Entre as alternativas apresentadas nas negociações está a possibilidade de conversão de parte da dívida objeto da reestruturação em ações da Raízen ao valor de R$ 0,25 por papel, além da emissão de novos instrumentos de dívida de longo prazo.

O material menciona ainda possibilidade de aporte de capital pelos acionistas, incluindo contribuição de R$ 3,5 bilhões da Shell e potencial investimento adicional vinculado à Aguassanta Investimentos, veículo relacionado à família Rubens Ometto.

Os documentos indicam ainda continuidade da estratégia de desinvestimentos e racionalização do portfólio de ativos. A companhia já anunciou a venda de usinas e negocia novas operações envolvendo ativos com capacidade adicional de moagem entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas.

Os documentos também mencionam possibilidade de reorganização societária com separação estrutural entre os negócios de Energia e Combustíveis após a conclusão da reestruturação financeira.

Segundo a Raízen, entretanto, todos os termos apresentados permanecem sujeitos a negociações, aprovações e eventual assinatura de documentos definitivos.

Distribuição de combustíveis e eficiência operacional sustentam tese da companhia

Nos materiais disponibilizados aos credores, a Raízen reforça a robustez operacional dos negócios de distribuição de combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia como pilares centrais da estratégia de recuperação financeira.

No segmento de distribuição, a companhia destacou possuir mais de 6,8 mil postos, atuação em 68 aeroportos, aproximadamente 70 ativos logísticos e presença relevante nos segmentos B2B, lubrificantes e varejo de conveniência.

A empresa também apresentou aos credores dados relacionados à evolução operacional recente do negócio de combustíveis, incluindo ganhos de participação de mercado, melhora de margens e redução de despesas operacionais.

Segundo dados apresentados aos credores, a Raízen registrou crescimento do EBITDA normalizado por metro cúbico de 35% na comparação anual, além de redução de 25% nas despesas administrativas por metro cúbico, refletindo ganhos operacionais, logísticos e comerciais.

A companhia também destacou avanços no negócio de lubrificantes, no qual afirma ter registrado o maior crescimento de market share desde a safra 2022/23.

Açúcar, etanol e bioenergia aparecem como pilares estratégicos

Na divisão de açúcar, etanol e bioenergia, a companhia apresentou uma visão estruturalmente positiva para os mercados globais de açúcar e combustíveis renováveis, defendendo que o Brasil possui posição estratégica para atender ao crescimento da demanda internacional.

Os materiais destacam expansão potencial da demanda global por etanol impulsionada por mandatos de mistura em diversos países, além da expectativa de crescimento contínuo do consumo mundial de açúcar nas próximas décadas. Segundo a companhia, Brasil poderá exercer papel central no atendimento do déficit global de oferta tanto em açúcar quanto em etanol.

A Raízen também reforçou aos credores a relevância estratégica de sua plataforma integrada de bioenergia. Segundo os dados apresentados, a companhia processou 70,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no acumulado da safra 2025/26 até dezembro, com produção de 4,8 milhões de toneladas de açúcar e 2,6 bilhões de litros de etanol.

O material mostra ainda produção de 105 mil metros cúbicos de etanol de segunda geração (E2G), exportação de energia e EBITDA ajustado de R$ 3,9 bilhões no período, além de receita líquida de R$ 43,7 bilhões.

A companhia destacou ainda investimentos em biogás, etanol celulósico e cogeração de energia, reforçando a estratégia de longo prazo voltada à transição energética e combustíveis renováveis.

No fato relevante, a Raízen reiterou compromisso com transparência, governança corporativa e manutenção do mercado informado sobre os próximos desdobramentos relacionados ao processo de recuperação extrajudicial.

Natália Cherubin para RPAnews

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