Movimento reflete avanço do etanol e possível redirecionamento da cana, enquanto mercado ainda carrega pressão recente de excesso de oferta
Os preços do açúcar registraram alta nesta semana, impulsionados pela valorização da gasolina e por perspectivas de menor produção no Brasil, em um movimento que pode incentivar as usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol. Segundo análise do Barchart, o contrato do açúcar em Nova York atingiu o maior nível em cerca de duas semanas e meia.
O contrato de açúcar bruto de maio em Nova York fechou em alta de 2,02% na terça-feira, 28, chegando a 14,34 dólares por libra-peso. Enquanto o contrato de açúcar branco com vencimento em agosto na ICE de Londres encerrou com ganho de 1,36%, em US$ 436,40.
O suporte ao mercado vem principalmente do avanço da gasolina, que alcançou máxima de aproximadamente três anos e nove meses, elevando a competitividade do etanol. Esse cenário tende a estimular o redirecionamento do mix das usinas, reduzindo a oferta de açúcar e sustentando os preços do adoçante.
No Brasil, maior produtor global, os dados mais recentes reforçam esse viés. No primeiro levantamento para a safra 2026/27, a produção de açúcar foi estimada em 43,95 milhões de toneladas, queda de 0,5% na comparação anual, enquanto a produção de etanol deve crescer, refletindo a mudança no mix industrial.
Apesar da reação recente, o mercado ainda carrega fatores de pressão observados nas últimas semanas. Os preços haviam recuado para mínimas de mais de cinco anos em meados de abril, diante da expectativa de ampla oferta global e demanda enfraquecida.
Outro indicativo desse cenário foi o elevado volume de entregas no vencimento do contrato de açúcar em Londres, que atingiu o maior nível para maio em 14 anos, sinalizando consumo mais fraco no mercado internacional.
Além disso, a recuperação da produção em importantes países produtores, como Índia e Tailândia, segue contribuindo para o aumento da disponibilidade global e limitando movimentos mais consistentes de alta.
Mesmo assim, a combinação entre energia mais cara e maior direcionamento da cana para o etanol tende a restringir a oferta de açúcar no curto prazo, criando um fator de suporte adicional para os preços no mercado internacional.
Com informações da Barchart

