A Raízen, em recuperação extrajudicial, informou que está em tratativas com credores e demais partes interessadas para construir uma solução consensual para sua reestruturação financeira, após receber questionamento da B3. No entanto, a empresa afirma que ainda não há definição sobre os próximos passos.
“No contexto do seu processo de recuperação extrajudicial, a companhia mantém tratativas e interlocuções com determinados credores financeiros e demais partes interessadas, com o objetivo de construir uma solução consensual para sua reestruturação financeira”, disse a empresa em comunicado ao mercado.
O pedido de esclarecimento veio após o Valor Econômico noticiar que a companhia estaria em negociação para uma nova proposta apresentada por bancos credores. O plano, segundo o jornal, prevê que 30% dos recursos obtidos com a vendas dos ativos da companhia na Argentina sejam utilizados para redução de dívida.
Entre as propostas apresentadas também estaria a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, da presidência do conselho da Raízen. Esse ponto reitera um pedido anterior dos detentores de títulos.
“É natural que alternativas, propostas, cenários e estruturas preliminares, de caráter não vinculante, sejam apresentados, discutidos e eventualmente revistos no curso das negociações”, disse a Raízen.
“A companhia esclarece, contudo, que, até a presente data, não foi celebrada qualquer operação, firmado qualquer acordo vinculante ou tomada qualquer decisão definitiva a respeito dos temas mencionados na referida notícia”, completa.
A empresa enfatizou que quando houver instrumento vinculante ou tomada qualquer decisão definitiva, irá adotar as providências cabíveis para a comunicação ao mercado.
Recuperação extrajudicial da Raízen
A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano, com uma dívida de R$ 65 bilhões. A companhia vem negociando com credores um acordo para evitar a recuperação judicial.
As dificuldades para lidar com as dívidas ocorrem após um período de altos investimentos, clima desfavorável e incêndios em canaviais que prejudicaram as colheitas e reduziram os volumes de esmagamento de cana.
A Shell se comprometeu no mês passado a investir R$ 3,5 bilhões para apoiar a Raízen, enquanto a Cosan se comprometeu com outros R$ 500 milhões, valor que foi considerado ainda insuficiente para lidar com o tamanho do problema da empresa.
O que está na mesa
Outra proposta na mesa envolve troca de dívidas por ações – credores querem quase a totalidade da empresa de açúcar e etanol. Em negociações com a Raízen, detentores de títulos da empresa de açúcar e etanol fizeram uma proposta ousada. A oferta é converter 45% da dívida da companhia em troca de 90% de participação na empresa, de acordo com informações da Bloomberg News.
Seria um acordo de “debt-to-equity swap”, quando ocorre a troca de uma dívida por participação acionária. No caso da proposta, a Raízen receberia um alívio financeiro, com a suspensão do pagamento dessas dívidas.
No entanto, os acionistas atuais perderiam espaço para os credores. Hoje, Cosan e Shell são os principais acionistas, cada um com 50% de ações ordinárias e com 44% do capital total. Já a BlackRock e o banco Norges, da Noruega, têm 0,7% do total. Os 10,5% restantes estão no mercado.
Seu Dinheiro| Karin Salomão
Com Money Times

