Preços ganham suporte com direcionamento da cana para etanol no Brasil e revisão de déficits e superávits globais
Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira em forte alta pelo segundo dia consecutivo, com o contrato em Nova York atingindo o maior nível em um mês. O movimento foi impulsionado principalmente pela valorização de cerca de 3% na gasolina, fator que tende a elevar os preços do etanol e incentivar usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
O açúcar bruto com vencimento em maio fechou em alta de 0,28 centavo de dólar, ou 2%, a 14,11 centavos de dólar por libra-peso, tendo atingido seu valor mais alto desde 9 de abril, a 14,16 centavos de dólar por libra-peso. Neste contexto, o contrato mais ativo do açúcar branco subiu 1,4%, para US$ 432,90 a tonelada.
A perspectiva de um aperto na oferta global também sustenta as cotações. Na última sexta-feira, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27 para 4,30 milhões de toneladas, ante 1,66 milhão anteriormente, citando justamente a migração da produção para etanol em detrimento do açúcar.
No Brasil, esse movimento já se reflete nos números da safra. Dados divulgados pela Unica indicam que, na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 11,9% na comparação anual, somando 647 mil toneladas. No mesmo período, a participação da cana destinada ao açúcar recuou para 32,9%, frente a 44,7% no ano anterior.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu primeiro levantamento para a safra 2026/27, também apontou para uma leve queda na produção brasileira de açúcar, estimada em 43,952 milhões de toneladas, recuo de 0,5% na comparação anual. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,259 bilhões de litros.
Outro fator de suporte aos preços é a preocupação com interrupções no fluxo global de açúcar. O fechamento do Estreito de Ormuz, segundo a Covrig Analytics, impacta cerca de 6% do comércio mundial da commodity, limitando a oferta de açúcar refinado.
Apesar desse cenário mais altista recente, o mercado vinha pressionado no mês anterior. Em Nova York, os preços chegaram ao menor nível em cinco anos e meio diante da expectativa de ampla oferta global e demanda moderada.
A Índia também contribuiu para esse viés mais baixista recentemente. O governo do país afirmou que não pretende restringir as exportações de açúcar em 2026, reduzindo o temor de desvio de produção para etanol após as disrupções no mercado de petróleo. Além disso, foi autorizada a exportação adicional de 500 mil toneladas na safra 2025/26, somando-se às 1,5 milhão de toneladas já liberadas anteriormente.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Índia deve registrar um superávit de 2,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, o primeiro em dois anos. O país é o segundo maior produtor global de açúcar.
Ainda assim, a perspectiva de menor produção no Brasil segue como um dos principais vetores de sustentação das cotações. O USDA projeta que a safra brasileira 2026/27 alcance 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% em relação ao ciclo anterior, refletindo a maior destinação da cana para o etanol.
Revisões recentes também indicam redução no excedente global. A Covrig Analytics cortou sua estimativa de superávit global de açúcar para 800 mil toneladas na safra 2026/27, ante 1,4 milhão anteriormente. Já a trading Czarnikow revisou seu superávit global para 1,1 milhão de toneladas, frente a 3,4 milhões projetados em fevereiro, e reduziu a estimativa para a safra 2025/26 para 5,8 milhões de toneladas, ante 8,3 milhões.
Com informações da Barchart

