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Segmento de irrigação sai otimista da feira Agrishow neste ano

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Empresas do setor de irrigação avaliam que o segmento tem se mostrado mais resiliente do que outros ao longo do ano e também na 31ª Agrishow, que se encerrou sexta-feira, 1º, em Ribeirão Preto (SP). Executivos relataram que, embora as vendas de equipamentos de irrigação ainda fiquem abaixo das do ano passado, o desempenho superou expectativas iniciais.

Diretor-presidente da Valley e presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Associação Brasileira da Indústria de Maquias (Abimaq), Cristiano Del Nero afirma que o setor chegou à feira com um cenário bastante pessimista, mas encontrou uma realidade “um pouco melhor”.

“A expectativa era de uma queda de cerca de 30% nas nossas vendas na feira, mas devemos fechar com recuo entre 15% e 18%. Ainda é abaixo do ano passado, mas melhor do que se imaginava inicialmente”, disse.

Segundo ele, o desempenho do segmento de irrigação, especialmente em pivôs centrais, tem sido relativamente superior ao de máquinas agrícolas, que registram retrações mais intensas.

No consolidado de 2025 – cujos números oficiais ainda não saíram, diz Del Nero –, a expectativa é de queda próxima de 8% no setor de irrigação, ante recuos superiores a 10% – e em alguns casos perto de 15% – em outros segmentos da indústria de máquinas.

Para Del Nero, o principal fator que sustenta a demanda é a busca dos produtores por previsibilidade financeira. “A irrigação estabiliza o fluxo de caixa. O produtor quer evitar surpresas, principalmente com juros altos. Ele prefere investir no que garante produtividade e receita”, afirmou.

Segundo ele, o equipamento permite reduzir riscos climáticos e viabilizar uma segunda e até terceira safra, ampliando a geração de caixa da propriedade. “Tenho clientes que conseguiram colher até quatro safras sob pivô central”, exemplifica Del Nero.

Esse movimento, de acordo com o executivo, tem levado produtores a priorizar investimentos em irrigação, inclusive com recursos próprios.

Desde a pandemia, quando o ciclo de alta das commodities elevou a liquidez no campo, a participação de capital próprio nas compras aumentou significativamente e segue predominante. “Hoje ainda vemos uma maioria de operações com recursos próprios, embora já tenha recuado um pouco em relação ao pico pós-pandemia”, disse.

O executivo também destacou que a resposta da demanda tem levado a empresa a rever planos internos. A companhia estuda reativar áreas produtivas e ampliar em até 10% o quadro de funcionários da fábrica em Uberaba (MG), movimento que contrasta com a cautela observada no segmento de máquinas agrícolas como tratores e colheitadeiras.

Na avaliação setorial, Del Nero observa que o investimento em irrigação tem sido favorecido por uma lógica econômica clara. “O produtor pode até economizar em fertilizantes, mas não pode depender da chuva. A irrigação virou prioridade porque entrega retorno direto em produtividade e segurança”, afirmou.

Já o CEO da Bauer e da Irricontrol, Luiz Alberto Roque, também vê a irrigação como um dos poucos segmentos que seguem com demanda consistente, ao lado da armazenagem.

Segundo ele, a empresa chegou à feira com expectativa de queda de cerca de 30% nas vendas em relação ao ano passado – patamar que acabou se confirmando, mas dentro do planejado. “Diante do momento, sair com a expectativa atingida já é positivo”, disse.

Roque ressalta que o movimento ao longo da Agrishow surpreendeu positivamente, após um início mais fraco. “Começamos com bastante incerteza, mas o fluxo melhorou e conseguimos manter o ritmo esperado”, afirmou.

Assim como Del Nero, ele atribui a resiliência do setor ao papel estratégico da irrigação. “Ela traz segurança e aumento de produtividade. Em um ambiente de incerteza climática e econômica, é um investimento necessário”, disse.

Uma diferença em relação à visão da Valley está na dinâmica de financiamento. Enquanto Del Nero aponta predominância de recursos próprios, Roque observa avanço do crédito estruturado.

Segundo ele, a Bauer tem apostado em alternativas como barter, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e linhas dolarizadas, com taxas mais competitivas, para viabilizar investimentos. “Hoje vemos um equilíbrio maior entre recursos próprios e financiamento, com tendência de aumento deste último”, afirmou.

Na prática, as duas visões convergem ao indicar que o produtor está mais seletivo, priorizando investimentos com retorno direto e previsibilidade, mas divergem quanto ao perfil de financiamento, refletindo estratégias distintas das empresas.

Outro ponto comum é o perfil do cliente: em sua maioria, produtores que já utilizam irrigação e buscam expandir suas áreas, embora haja também novos entrantes, especialmente em regiões em expansão agrícola.

Apesar das diferenças de abordagem, o diagnóstico geral é semelhante. Ou seja, mesmo em um ciclo mais desafiador para o agronegócio, a irrigação mantém espaço relevante nos planos de investimento.

“É um investimento que se paga pela segurança que oferece”, resumiu Roque, em linha com a avaliação de Del Nero de que o segmento segue como prioridade estratégica dentro das fazendas brasileiras.

Agência Estado| Tânia Rabello

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