Valorização da moeda brasileira reduz competitividade das exportações e dá suporte aos contratos em Nova York e Londres
Os preços do açúcar encerraram a última sessão em alta nas bolsas internacionais, sustentados principalmente pelo fortalecimento do real frente ao dólar, movimento que reduz o apetite de venda por parte das usinas brasileiras no mercado externo. Os dados foram divulgados pelo mercado internacional na última sexta-feira, dia 8.
O contrato do açúcar bruto com vencimento em julho subiu 0,14 centavo de dólar, ou 0,9%, encerrando cotado a 15,16 centavos de dólar por libra-peso. Apesar da recuperação no fechamento da sessão, o contrato acumulou perda semanal de 1,7%. Já o contrato mais ativo do açúcar branco avançou 0,3%, para US$ 432,30 por tonelada.
O contrato julho do açúcar bruto negociado em Nova York (ICE Futures US) fechou com avanço de 0,15 centavo de dólar por libra-peso, alta de 1,03%, enquanto o açúcar branco com vencimento agosto, negociado em Londres, registrou leve valorização de 0,02%.
De acordo com análises do mercado, o real brasileiro subiu cerca de 0,56% frente ao dólar, permanecendo próximo das máximas em mais de dois anos. A valorização da moeda brasileira tende a desestimular as exportações por parte das usinas, já que reduz a atratividade da remuneração em reais das vendas externas.
O mercado também continua acompanhando os desdobramentos do mix de produção no Brasil. Segundo a consultoria Covrig Analytics, a recente queda dos preços da gasolina pressionou o etanol e pode estimular as usinas brasileiras a direcionarem mais cana para a produção de açúcar, diante de uma rentabilidade atualmente superior do adoçante em relação ao biocombustível.
Apesar disso, dados recentes da UNICA seguem oferecendo suporte às cotações. Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 11,9% na comparação anual, totalizando 647 mil toneladas. No mesmo período, as usinas reduziram o percentual de cana destinado à fabricação de açúcar para 32,9%, ante 44,7% registrados no ciclo anterior.
O cenário também segue influenciado pelas projeções para a safra brasileira 2026/27. A Conab estima produção de 43,95 milhões de toneladas de açúcar, ligeiramente abaixo da temporada anterior, enquanto a produção de etanol deve crescer 7,2%. Já o USDA projeta uma produção brasileira de 42,5 milhões de toneladas, com maior direcionamento da cana para o biocombustível.
Além do cenário brasileiro, o mercado internacional acompanha preocupações relacionadas à oferta global. A Green Pool Commodity Specialists elevou recentemente sua estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27, refletindo justamente a expectativa de maior produção de etanol em detrimento do açúcar em alguns mercados produtores.
