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Com IPO da Compass, Cosan levanta ao menos R$ 2 bilhões para calibrar dívidas

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No primeiro IPO na B3 em mais de quatro anos, empresa de gás movimentou R$ 3,2 bilhões com uma oferta secundária de ações

Com a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da empresa de gás Compass, a Cosan levantou R$ 2 bilhões para readequar o seu passivo – trabalho que a companhia vem fazendo desde o ano passado. No IPO, o primeiro realizado na B3 em mais de quatro anos, a Compass movimentou R$ 3,2 bilhões com uma oferta secundária de ações.

A Compass confirmou nesta sexta-feira, 8, a fixação do preço de R$ 28 por ação, movimentando R$ 2,8 bilhões na oferta base. Considerando os lotes extras, o valor totaliza R$ 3,199 bilhões. A companhia chega, com isso, avaliada em R$ 20 bilhões na B3.

A transação foi integralmente secundária, ou seja, com a venda de ações detidas pelos acionistas Cosan, Fundos Atmos, Bradesco Vida e Previdência, Brasil Capital, Manaslu LLC – Banco BTG Pactual, Manzat Inversiones Auu e Ricardo Ernesto Correa da Silva.

De acordo com o cronograma da oferta, o início das negociações dos papéis acontece no dia 11 de maio, com o ticker “PASS”. A empresa será listada no Novo Mercado, segmento de listagem da B3.

A oferta tem coordenação do BTG Pactual (coordenador líder), Bank of America Merrill Lynch, Bradesco BBI, Citigroup, Itaú BBA, Banco Santander (Brasil), Banco JPMorgan, XP Investimentos, Banco BNP Paribas Brasil e do UBS BB.

Redução de passivos

Os recursos captados pela Cosan na operação devem ser usados para reduzir o passivo do grupo. No ano passado, a empresa recebeu uma injeção de capital de R$ 10,5 bilhões, liderada pelo BTG Pactual, e ainda ampliou sua flexibilidade financeira por meio de outras operações envolvendo ações da Rumo e da Cosan Dez, o veículo de investimento na Compass.

A Cosan fechou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido corporativo de R$ 5,8 bilhões, abaixo em 38%, entretanto, do mesmo período de 2024. No ano, a Cosan somou prejuízo líquido de R$ 9,722 bilhões, alta anual de 3%. A dívida líquida expandida da Cosan (corporativo) somou R$ 9,76 bilhões ao final de 2025, com queda de 58% frente ao mesmo período de 2024.

Além do IPO da Compass, o grupo trabalha em outras estratégias que podem envolver a venda da participação na Rumo.

O maior problema do grupo Cosan nesse momento é a Raízen, empresa de energia que tem a Shell como parceira, e está em reestruturação extrajudicial. A Raízen tem dívidas de R$ 65 bilhões, já se desfez de várias usinas e está para concluir a venda, por até US$ 1,5 bilhão, de suas operações na Argentina, que incluem cerca de 900 postos com a bandeira Shell.

O Estado de S. Paulo | Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

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