A Cocal encerrou os nove primeiros meses da safra 2025/26 com moagem de 7,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 5,7% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. De acordo com o relatório de resultados divulgado pela companhia no final de abril, o desempenho refletiu principalmente condições climáticas mais favoráveis a partir do segundo trimestre da safra, com menor volume de chuvas, elevando a disponibilidade operacional e permitindo a recuperação do atraso causado pelas precipitações acima da média registradas no início do ciclo.
No terceiro trimestre da safra 2025/26, a companhia processou 1,4 milhão de toneladas de cana, avanço de 45,3% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Segundo o relatório, o TCH da cana própria atingiu 74,6 toneladas por hectare no acumulado dos nove primeiros meses da safra, crescimento de 6,2% frente ao mesmo período do ciclo anterior. O ATR da cana apresentou retração de 2,4%, para 133,8 kg por tonelada, enquanto o TAH alcançou 10 toneladas por hectare, aumento de 3,6% na comparação anual.
De acordo com a companhia, o desempenho agrícola decorre principalmente dos investimentos realizados em renovação e manutenção do canavial nas safras anteriores, com foco em manejo e adoção de novas tecnologias, além de condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento da matéria-prima em relação ao ano anterior.
Em função do maior volume de moagem combinado ao ganho de produtividade, o volume total de ATR produzido no acumulado da safra atingiu 1,084 milhão de toneladas, aumento de 2,4% frente ao mesmo período da safra passada, conforme o relatório.
Na produção, a companhia registrou 629 mil toneladas de açúcar nos nove primeiros meses da safra, volume praticamente estável em relação ao mesmo período da safra anterior, com leve retração de 0,5%. Já a produção de etanol anidro alcançou 168 mil metros cúbicos, avanço de 7,9%, enquanto a produção de etanol hidratado somou 79 mil metros cúbicos, crescimento de 5,7%.
A exportação de energia elétrica atingiu 346 mil MWh no acumulado da safra, aumento de 7,2% em relação ao 9M25.
Segundo a companhia, o mix de produção destinado ao açúcar atingiu 64% no acumulado da safra, redução de 1 ponto percentual frente ao mesmo período da safra anterior. No terceiro trimestre isoladamente, o mix açúcar recuou para 51%, ante 67% registrados no 3T25. De acordo com o relatório, esse movimento refletiu maiores oportunidades de preços para o etanol no período, em contraste com a dinâmica observada nos trimestres anteriores.
Na área financeira, a receita operacional líquida acumulada da safra 2025/26 somou R$ 1,93 bilhão, recuo de 2,7% em relação ao mesmo período da safra anterior. Conforme a companhia, o resultado foi positivamente influenciado pelo crescimento das receitas com etanol anidro e energia elétrica, além da melhora dos preços médios do etanol, sendo parcialmente compensado pela menor receita com açúcar, decorrente da redução do volume comercializado e do preço médio das vendas.
A receita líquida com açúcar totalizou R$ 1,19 bilhão no acumulado da safra, queda de 10,1% frente ao 9M25. Segundo o relatório, o resultado refletiu redução de 6,3% no volume comercializado, aliada à retração de 4,1% no preço médio das vendas.
Já a receita líquida com etanol anidro somou R$ 417,2 milhões, crescimento de 23,1% em relação ao mesmo período da safra anterior, impulsionada pelo aumento de 11,9% no volume comercializado e pela elevação de 10% no preço médio das vendas.
O EBITDA ajustado acumulado atingiu R$ 1,069 bilhão, com margem EBITDA ajustada de 55,4%. De acordo com a companhia, o resultado ficou 10,1% abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior. O lucro líquido acumulado somou R$ 153,7 milhões, retração de 42,9%, com margem líquida de 8%.
No terceiro trimestre isoladamente, a companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 360,1 milhões, crescimento de 29,4% frente ao 3T25. O lucro líquido do período alcançou R$ 96,9 milhões, ante R$ 3,8 milhões registrados no mesmo trimestre da safra anterior.
Conforme o relatório, os investimentos da companhia totalizaram R$ 1,72 bilhão no acumulado da safra até dezembro, crescimento de 74,5% frente ao mesmo período da safra anterior. Segundo a empresa, os desembolsos foram direcionados principalmente para renovação do canavial, tratos culturais, ampliação da capacidade produtiva, projetos de biogás e aquisição de ativos.
Entre os destaques do período, a companhia informou a aquisição de duas unidades industriais localizadas no Mato Grosso do Sul, atualmente denominadas Cocal Passa Tempo Agroindustrial S.A. e Cocal Rio Brilhante Agroindustrial S.A. Segundo a empresa, a operação reforça a estratégia de expansão da base industrial e ampliação da capacidade produtiva na região Centro-Oeste.
A dívida líquida ajustada encerrou dezembro de 2025 em R$ 3,38 bilhões, ante R$ 1,61 bilhão registrados em março de 2025. De acordo com a companhia, o aumento do endividamento decorreu principalmente das novas captações realizadas por meio de emissões de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), destinadas ao financiamento das aquisições concluídas no período.


