Usinas intensificam vendas em meio ao avanço da safra 2026/27, enquanto compradores mantêm postura retraída no mercado spot
Os preços do açúcar cristal continuam registrando quedas no mercado spot paulista, em um cenário marcado pelo descompasso entre oferta e demanda com o avanço da safra 2026/27 no Centro-Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo das negociações segue reduzido, refletindo a postura mais cautelosa dos compradores diante da expectativa de novas baixas nos preços.
De acordo com o Centro de Pesquisas, as usinas vêm buscando realizar vendas de forma mais ativa, mesmo em um ambiente de preços considerados pouco atrativos no curto prazo. Ainda assim, a resposta do lado comprador permanece limitada.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, traders classificam o mercado como “frio”, com baixo volume negociado. Para os pesquisadores, o aumento gradual da oferta neste início de safra, combinado à demanda retraída, continua pressionando as cotações internas do açúcar cristal.
Mercado teve baixa liquidez no fim de abril
O Cepea também destacou que o mercado spot de açúcar apresentou baixa liquidez na última semana de abril. Apesar da postura cautelosa dos compradores, os preços do cristal permaneceram firmes no encerramento do mês, contrariando a expectativa de quedas mais intensas no curto prazo.
Segundo o Centro de Pesquisas, a redução do volume negociado indica resistência do lado vendedor à pressão exercida pelos compradores.
Outro fator observado pelo Cepea foi o predomínio de açúcares mais escuros nas negociações realizadas no mercado spot, movimento que reforça a percepção de que a safra 2026/27 ainda não atingiu ritmo pleno de produção, limitando temporariamente a oferta de açúcar cristal de melhor qualidade.
Por outro lado, pesquisadores do Cepea apontam que o comportamento do mercado internacional pode trazer algum suporte às cotações domésticas nas próximas semanas. Segundo o Centro de Pesquisas, os preços do contrato nº 11 do açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures) registraram alta na última semana de abril.
De acordo com o Cepea, a valorização externa esteve associada principalmente à elevação dos preços do petróleo, cenário que aumenta os custos globais de energia e tende a favorecer o etanol frente ao açúcar.
Pesquisadores destacam que, diante da alta do petróleo e da energia, as usinas brasileiras podem ampliar o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar no mercado e oferecendo suporte adicional às cotações internacionais e domésticas.


