Compradores seguem retraídos no mercado paulista, enquanto preocupações com o El Niño elevam atenção sobre a produção em importantes regiões produtoras
O mercado paulista de açúcar cristal branco segue registrando baixa movimentação e preços enfraquecidos neste início da safra 2026/27. Segundo o Cepea, a oferta abundante da commodity continua pressionando as cotações, enquanto compradores permanecem retraídos à espera de novas quedas nos preços.
Pesquisadores do Centro de Estudos destacam que o avanço da safra no Centro-Sul do Brasil tem garantido boa disponibilidade de produto no mercado, contribuindo para o cenário de desvalorização observado desde o início de junho.
No mercado internacional, o comportamento das cotações também reflete a expectativa de maior oferta global no curto prazo. Após iniciarem a semana passada em alta, sustentados por preocupações climáticas na Índia, os contratos de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures) perderam força nos dias seguintes diante da percepção de disponibilidade mais confortável da commodity.
Apesar da pressão baixista no curto prazo, o clima continua no radar dos agentes do mercado. A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou a ocorrência do fenômeno El Niño, que pode afetar a produção de açúcar em importantes regiões produtoras, como Índia, Tailândia e partes do Brasil.
No Centro-Sul brasileiro, as expectativas são de aumento das chuvas ao longo dos próximos meses. De acordo com o Cepea, esse cenário pode dificultar a colheita e o processamento da cana-de-açúcar, reduzindo o ritmo de produção e limitando a oferta imediata de açúcar.
Dessa forma, embora a ampla disponibilidade de produto continue pressionando os preços neste início de safra, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos climáticos, que poderão influenciar a oferta global e o comportamento das cotações nos próximos meses.



