Consultorias revisam projeções para a safra 2026/27, enquanto clima na Índia e risco de El Niño reforçam expectativa de oferta mais apertada
Os contratos futuros do açúcar voltaram a subir nesta quarta-feira (6) nas bolsas internacionais, impulsionados pela perspectiva de um aperto na oferta global para a safra 2026/27. O contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro, negociado na ICE de Nova York, encerrou o pregão cotado a 15,15 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,73%. Em Londres, o açúcar branco para outubro avançou 0,89%, para US$ 476,90 por tonelada, atingindo o maior patamar das últimas quatro semanas.
A recuperação ocorre após o mercado atingir uma mínima de cinco meses na semana passada e reflete a revisão das projeções de oferta por diferentes consultorias. Na segunda-feira, a Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a estimativa divulgada em junho, que apontava um superávit de 100 mil toneladas.
O movimento reforça uma tendência observada nas últimas semanas. A Green Pool elevou na semana passada sua projeção de déficit global para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão estimado anteriormente. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente à expectativa de 550 mil toneladas divulgada em maio.
Além da revisão dos balanços globais, o mercado segue atento às condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Na última sexta-feira, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem permanecer abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra do país também alertou que esta poderá ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos, aumentando as preocupações quanto ao potencial produtivo da próxima safra.
Outro fator de sustentação para os preços continua sendo o desenvolvimento do fenômeno El Niño. A expectativa é que o padrão climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras do Brasil, da Índia e da Tailândia, os três maiores produtores mundiais de açúcar. Em julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño iniciado no mês passado poderá se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos.
Apesar desse cenário de preocupação, os dados mais recentes mostram melhora gradual no regime de chuvas da Índia. De acordo com o Departamento Meteorológico do país, o acumulado de precipitações da temporada de monções apresentava déficit de 11% até 5 de agosto, avanço significativo em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho.
Essa recuperação parcial das chuvas havia pressionado as cotações na semana passada, diante da expectativa de maior produção indiana. No entanto, a combinação entre previsões de precipitações abaixo da média para os próximos meses e a revisão das estimativas globais de oferta voltou a fortalecer o mercado, sustentando a recuperação dos preços nas bolsas internacionais.
Com informações da Barchart


