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Fundos fazem a maior inversão na aposta para o preço do açúcar em 20 anos

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Em duas semanas, eles realizaram compras líquidas de 145 mil contratos futuros

Os fundos especulativos que operam nas bolsas americanas fizeram uma inversão substancial em suas apostas para os preços futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Em duas semanas, eles realizaram compras líquidas de 145 mil contratos futuros, o maior valor de compra líquida em um intervalo de duas semanas nos últimos 20 anos, de acordo com levantamento da consultoria FG/A.

Os fundos saíram de uma posição vendida (aposta na queda) líquida de 33 mil contratos na semana encerrada em 28 de julho para uma posição comprada (aposta na alta) líquida de 117 mil contratos na semana encerrada em 11 de agosto, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês).

O movimento desencadeou uma forte reação nos preços do açúcar que, do início de agosto até o dia 11, subiram 14%, considerando-se os contratos com vencimento em outubro, saindo de um patamar de 14,66 centavos de dólar a libra-peso em 30 de julho para 16,73 centavos de dólar a libra-peso naquele dia. Nesta segunda-feira, os contratos para outubro fecharam a 16,87 centavos de dólar a libra-peso, uma elevação de 221 pontos no acumulado do mês.

Para o sócio da consultoria FG/A, Willian Hernandes, os fundos “parecem estar com receio de um El Niño muito forte”. Nos últimos dias, várias consultorias passaram a revisar suas projeções para o balanço entre oferta e demanda de açúcar no mundo, com a expectativa de que o fenômeno afeta a produção da Índia e da Tailândia, além da Europa.

O El Niño pode afetar a oferta até do Centro-Sul se antecipar mais chuvas neste inverno e causar mais interrupções na colheita e redução da qualidade da cana-de-açúcar.

Desde 2006, as maiores inversões de posição dos fundos especulativos um período tão curto ocorreram apenas em janeiro de 2006 e em dezembro de 2019, mas não chegaram a movimentar uma quantidade de contratos tão alta como agora.

Em março deste ano, os fundos chegaram a realizar compras líquidas de 125 mil lotes em apenas duas semanas, mas os preços não reagiram da mesma forma como estão reagindo agora. Naquele mês, o preço do açúcar chegou a sair do patamar 14,19 centavos de dólar a libra-peso e subiu para 15,77 centavos de dólar a libra-peso, mas depois perdeu força novamente.

Até aquele mês, os fundos estavam com uma posição líquida vendida de mais de 200 mil contratos, e desde então passaram a ter uma posição líquida vendida mais modesta, ao redor de 100 mil contratos, mas ainda foi insuficiente para retirar os preços do açúcar dos níveis em que estavam.

Globo Rural| Camila Souza Ramos

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