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Após quebra de safra, CMAA terá recuperação mais lenta e alavancagem acima de 3,5x, projeta S&P

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A S&P National Ratings rebaixou, em relatório publicado em 3 de junho, o rating de crédito de emissor da Vale do Tijuco Açúcar e Álcool, empresa da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), de ‘brAA’ para ‘brAA-’, com perspectiva negativa. A decisão foi atribuída principalmente à quebra de safra mais intensa do que o projetado, à recuperação operacional mais lenta das unidades do grupo e ao cenário de preços historicamente baixos do açúcar, fatores que reduziram a geração de caixa e deterioraram as métricas de crédito da companhia.

Segundo a agência, o desempenho agrícola abaixo das expectativas atrasou em aproximadamente 12 meses a recuperação operacional anteriormente prevista para a CMAA. Na safra 2025/26, a S&P projetava moagem de cerca de 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mas o volume efetivamente processado ficou em 8,3 milhões de toneladas.

A produtividade agrícola também ficou aquém das estimativas. O TCH (toneladas de cana por hectare) alcançou 69 toneladas por hectare, ante expectativa anterior de 77 t/ha.

Na avaliação da S&P, a redução da moagem decorreu de impactos climáticos e agrícolas mais severos do que o antecipado, comprometendo a recuperação dos volumes e reduzindo a capacidade de diluição dos custos fixos. Apesar disso, a agência destaca que a CMAA mantém escala relevante e possui parcela significativa da produção de açúcar com preços já fixados.

Para a safra 2026/27, 51% do volume de açúcar produzido está fixado a R$ 2.338 por tonelada. Para 2027/28, 34% da produção está fixada a R$ 2.388 por tonelada.

Alavancagem deve permanecer acima de 3,5x

Com a revisão das projeções, a S&P alterou a avaliação do risco financeiro da CMAA de intermediário para significativo. Além da menor geração operacional, pesaram nessa decisão os investimentos acima do anteriormente esperado e a expectativa de fluxo de caixa operacional livre (FOCF) persistentemente negativo.

Na análise anterior, a agência projetava relação entre dívida e EBITDA ajustado de 3,3 vezes em 2026, com redução para aproximadamente 2,7 a 2,8 vezes nos anos seguintes. A nova projeção indica índice de aproximadamente 3,5 vezes em 2026 e manutenção da alavancagem acima desse patamar nas safras seguintes, sem desalavancagem relevante no período.

As projeções apresentadas pela S&P indicam dívida ajustada de R$ 4,39 bilhões em 2026, avançando para R$ 4,62 bilhões em 2027, R$ 5,12 bilhões em 2028 e R$ 5,43 bilhões em 2029.

Já o fluxo de caixa operacional livre projetado é negativo em R$ 600 milhões em 2026, R$ 201 milhões em 2027, R$ 300 milhões em 2028 e R$ 103 milhões em 2029.

A agência relaciona esse cenário ao menor nível de moagem, à postergação da curva de crescimento dos volumes, ao elevado plano de investimentos e às perspectivas de preços mais baixos para açúcar e etanol.

O plano de investimentos permanece relevante. A S&P estima capex de R$ 912 milhões em 2026/27 e entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,3 bilhão nas duas safras seguintes.

S&P projeta moagem de 9,2 milhões de toneladas em 2026/27

Apesar da recuperação mais lenta, o cenário-base da agência considera retomada gradual da produção agrícola da CMAA. Para 2026/27, a projeção é de moagem de 9,2 milhões de toneladas, avançando para 10,1 milhões de toneladas em 2027/28.

A produtividade é estimada em 77 t/ha na atual temporada e 81,6 t/ha em 2027/28, enquanto o ATR médio deve alcançar 138,7 kg por tonelada nas duas safras. A S&P trabalha ainda com mix de produção de açúcar VHP de 62%.

A CMAA reúne as operações das usinas Vale do Tijuco, Vale do Pontal e Canápolis, todas localizadas em Minas Gerais, e possui capacidade consolidada superior a 10 milhões de toneladas de cana por ano. Segundo a agência, a capacidade instalada deverá superar 11 milhões de toneladas nas próximas duas safras.

A companhia concluiu a expansão da Usina Vale do Pontal, cuja capacidade passou de 2,7 milhões para 3,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, e mantém projeto para elevar a capacidade da Usina Canápolis de 2 milhões para 2,6 milhões de toneladas. Também estão previstos investimentos em canavial, irrigação e expansão da área de colheita.

Para a Vale do Tijuco, a S&P projeta moagem de 4,8 milhões de toneladas em 2027/28 e 5 milhões de toneladas em 2028/29, acompanhada da expansão da área plantada.

Perspectiva negativa

Embora tenha rebaixado o rating, a S&P continua classificando a liquidez da CMAA como suficiente. A agência considera, entre as fontes de liquidez, R$ 388 milhões em caixa e equivalentes em 31 de março de 2026, geração interna de caixa esperada de aproximadamente R$ 688 milhões nos 12 meses seguintes e R$ 400 milhões em novas captações com garantia firme para a safra 2026/27.

Por outro lado, a empresa possui R$ 334 milhões em dívida de curto prazo, previsão de saída de R$ 140 milhões em capital de giro e capex de R$ 912 milhões no período.

A perspectiva negativa atribuída ao rating indica, segundo a S&P, o risco de as métricas de crédito permanecerem pressionadas por mais tempo caso a recuperação agrícola e operacional não avance no ritmo esperado ou o consumo de caixa continue elevado.

A agência afirma que poderá realizar novo rebaixamento nos próximos 12 meses caso a alavancagem permaneça próxima de 4 vezes e o fluxo de caixa operacional livre continue negativo, especialmente diante de uma nova frustração de moagem, recuperação agrícola mais lenta, maior pressão de capital de giro ou deterioração adicional dos preços do açúcar e do etanol.

Em sentido contrário, a perspectiva poderá voltar a estável caso a CMAA apresente recuperação consistente da moagem e da produtividade agrícola, acompanhada de melhora na geração de caixa. Nesse cenário, a S&P considera como referências uma relação dívida/EBITDA ajustada de 3 vezes, redução da pressão de capital de giro e fluxo de caixa operacional livre próximo do equilíbrio.

Natália Cherubin para RPAnews

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