Nova York atinge máxima de 15 meses e Londres, de 16 meses; possibilidade de Índia reduzir tarifa de importação reforça temor com disponibilidade
Os preços internacionais do açúcar ampliaram o forte movimento de alta nesta terça-feira, 18, impulsionados pelas preocupações com a oferta global. Na ICE Futures de Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto avançou 3,56% e atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto o açúcar branco negociado em Londres subiu 3,15% e alcançou máxima de 16 meses.
Em Nova York, o contrato outubro ganhou 0,60 centavo e encerrou a sessão cotado a 17,44 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro avançou US$ 16,50, para US$ 540,40 por tonelada.
O movimento ganhou força após a Bloomberg informar que a Índia considera reduzir as tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado da demanda durante a temporada de festivais.
A possibilidade chamou a atenção do mercado diante do histórico recente do país. A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, não realiza importações substanciais da commodity desde a temporada 2017/18. A eventual necessidade de ampliar as compras externas é vista como mais um sinal das restrições de oferta enfrentadas pelo mercado global.
Déficits sustentam valorização
Os preços do açúcar acumulam forte valorização em agosto diante das perspectivas de maior aperto na disponibilidade futura. Diferentes consultorias revisaram recentemente suas estimativas para o balanço mundial de 2026/27, passando a projetar déficits maiores ou revertendo expectativas anteriores de superávit.
A Covrig Analytics estima déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, ante projeção de superávit de 100 mil toneladas feita em junho. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas.
A StoneX também ampliou sua projeção, de déficit de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas. Já a Czarnikow passou de uma expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas.
As preocupações se estendem à temporada seguinte. Na última sexta-feira, a Czarnikow projetou déficit global de açúcar de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, atribuído à redução das áreas cultivadas com cana-de-açúcar e beterraba. A trading estima queda de 0,7% na produção mundial, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
Monções na Índia seguem no radar
O clima indiano também permanece entre os fatores acompanhados pelo mercado. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas acumuladas das monções estavam 13% abaixo da média até 17 de agosto.
O déficit diminuiu significativamente em relação aos 42% registrados no fim de junho, mas o órgão meteorológico indicou anteriormente que as precipitações durante agosto e setembro provavelmente ficarão abaixo do normal.
O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca em 11 anos. As monções indianas ocorrem entre junho e setembro e têm papel relevante sobre as perspectivas agrícolas do país.




