Companhia processou 5,76 milhões de toneladas de cana no primeiro semestre e direcionou 78% do mix para o biocombustível
A Adecoagro processou 5,76 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no primeiro semestre de 2026, alta de 16,8% em relação às 4,93 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado. Com margens mais favoráveis para o etanol, a companhia direcionou 78% do mix para o biocombustível, levando a produção de etanol a crescer 63,7%, enquanto a fabricação de açúcar recuou 49%. Os dados constam do relatório de resultados do segundo trimestre divulgado pela companhia em 12 de agosto.
A maior disponibilidade de cana, apoiada pela recuperação da produtividade agrícola, sustentou o avanço da moagem. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o TCH alcançou 83 toneladas por hectare, crescimento de 26,8% frente às 65 t/ha registradas no mesmo intervalo de 2025.
O aumento da produtividade permitiu à companhia processar mais cana mesmo com redução da área colhida. Foram colhidos 66,09 mil hectares no primeiro semestre, 8,7% abaixo dos 72,40 mil hectares registrados no mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, o ATR por tonelada de cana ficou em 111 kg/t no semestre, queda de 5,8% na comparação anual. Segundo a Adecoagro, o recuo ocorreu principalmente em razão das chuvas registradas no período.
Mesmo com a redução do ATR por tonelada, o ATR por hectare alcançou 9.146 kg/ha no primeiro semestre, avanço de 19% frente aos 7.661 kg/ha do mesmo período de 2025. A companhia relaciona o aumento da moagem à maior disponibilidade de cana, impulsionada pela recuperação da produtividade.
Somente no segundo trimestre, a moagem atingiu 3,54 milhões de toneladas, avanço de 2,8% sobre as 3,44 milhões de toneladas do segundo trimestre de 2025. O volume foi registrado em um período no qual as precipitações ficaram 44% acima das observadas um ano antes e 49% superiores à média dos últimos 16 anos. O TCH ficou praticamente estável, em 73 t/ha.
Etanol ganha espaço no mix
A principal mudança no perfil de produção ocorreu no direcionamento da matéria-prima. No primeiro semestre de 2025, o mix era de 52% para etanol e 48% para açúcar. No mesmo período deste ano, a participação do biocombustível subiu para 78%, enquanto a do açúcar caiu para 22%.
De acordo com a Adecoagro, durante o primeiro semestre os preços do etanol em Mato Grosso do Sul apresentaram prêmio em relação ao açúcar de 50% para o hidratado e de 32% para o anidro. Diante dessa relação de preços, a companhia maximizou a produção do biocombustível e continuou privilegiando o hidratado dentro de sua produção de etanol. A companhia destaca que o mix de 78% para etanol no acumulado do ano teve como objetivo capturar margens melhores.
A produção de etanol alcançou 323 mil metros cúbicos no primeiro semestre, crescimento de 63,7% ante os 197,4 mil metros cúbicos produzidos um ano antes. Já a produção de açúcar caiu de 262,8 mil para 134 mil toneladas, retração de 49%.
No segundo trimestre, a produção de etanol aumentou 36,3%, para 185,8 mil metros cúbicos, enquanto a de açúcar recuou 36,1%, para 127,2 mil toneladas. O mix do período ficou em 68% para etanol e 32% para açúcar, ante uma divisão de 50% para cada produto no segundo trimestre de 2025.
A geração de energia também avançou. A companhia exportou 328,9 mil MWh no primeiro semestre, crescimento de 28,4% na comparação anual. Segundo o relatório, o desempenho refletiu a maior moagem e a utilização de bagaço armazenado para geração de energia destinada ao cumprimento de contratos.
Receita e EBITDA recuam
Apesar do avanço da moagem e da produção de etanol, a receita líquida do segmento de Açúcar, Etanol e Energia caiu 20,7% no primeiro semestre, de US$ 301,7 milhões para US$ 239,1 milhões. No segundo trimestre, a retração foi de 30,3%, para US$ 127,5 milhões.
Segundo a companhia, a queda da receita foi provocada principalmente pela redução das vendas de açúcar, decorrente dos menores volumes comercializados e da queda dos preços globais, além do menor volume de etanol vendido no trimestre. A redução das vendas de açúcar também refletiu a estratégia de maximização da produção de etanol no primeiro semestre.
No etanol, a Adecoagro adotou uma estratégia de formação de estoques após o início da nova safra, período em que o aumento da oferta do setor pressionou os preços domésticos. Ao final do segundo trimestre, 41% de toda a produção de etanol acumulada no ano permanecia armazenada, com esses volumes posicionados para vendas futuras. A estratégia busca aproveitar preços futuros mais favoráveis.
No acumulado do semestre, o volume vendido de etanol aumentou 2,1%, para 297,6 mil metros cúbicos, e o preço médio de venda avançou 12,6%, para US$ 525 por metro cúbico. Já as vendas de açúcar caíram 46,2%, para 156,1 mil toneladas, enquanto o preço médio recuou 23,5%, para US$ 334 por tonelada.
O EBITDA ajustado do segmento atingiu US$ 53,2 milhões no segundo trimestre, queda de 21,8% na comparação anual. No primeiro semestre, somou US$ 93,8 milhões, recuo de 4,2%. Segundo a Adecoagro, o resultado refletiu menores vendas e perdas, na comparação anual, na marcação a mercado dos ativos biológicos em razão dos menores preços do Consecana, parcialmente compensados pelo aumento da moagem.
O custo de produção, excluindo depreciação e amortização, atingiu 10,4 centavos de dólar por libra-peso no primeiro semestre, aumento de 16% frente aos 9 centavos registrados um ano antes.
Segundo a Adecoagro, o avanço foi provocado principalmente pela valorização do real na comparação com o mesmo período de 2025 e pelos maiores custos de colheita diante da alta do diesel. Desconsiderando o efeito cambial, o custo de produção expresso em reais permaneceu em linha com o ano anterior, em 53,6 centavos de real por libra-peso.
Adecoagro prevê aumento da moagem em 2026
Para o restante do ano, a Adecoagro informou que o ritmo de moagem segue em linha com sua meta anual. Considerando condições climáticas normais, a companhia projeta crescimento na faixa de dois dígitos baixos no volume processado em 2026 frente a 2025.
No açúcar, 75% da produção está protegida por operações de hedge a 15,7 centavos de dólar por libra-peso. Para o próximo ano, 16% da produção já está protegida a 17,4 centavos de dólar por libra-peso. No etanol, a companhia mantém a estratégia de formação de estoques diante da expectativa de preços mais elevados.
A Adecoagro também destacou a expansão de sua plataforma de Açúcar, Etanol e Energia em Mato Grosso do Sul por meio da aquisição da Usina Caarapó, da Raízen, anunciada em julho por valor estimado de R$ 760 milhões. A unidade processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e, após a conclusão da operação, deverá elevar a capacidade anual de moagem da Adecoagro no segmento para mais de 18 milhões de toneladas.
Na apresentação dos resultados, o CEO da Adecoagro, Mariano Bosch, classificou a aquisição da Caarapó como uma “expansão natural” da plataforma de Açúcar, Etanol e Energia da companhia em Mato Grosso do Sul. O executivo também destacou que a maior disponibilidade de cana tem impulsionado o crescimento da moagem e atribuiu o desempenho às melhorias realizadas nas operações agrícolas.




