Compras externas recuaram para 22,4 milhões de toneladas até julho, enquanto desembolso chegou a US$ 8,8 bilhões em cenário de preços mais elevados
O Brasil reduziu em 7,4% o volume de fertilizantes importados entre janeiro e julho de 2026, para 22,4 milhões de toneladas, mas gastou 7,3% mais com as compras externas, que somaram US$ 8,8 bilhões no período. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e mostram um cenário de maior pressão sobre os custos dos insumos agrícolas.
O movimento também aparece nos preços. Em junho, o preço médio dos fertilizantes importados pelo Brasil ficou 26,1% acima do registrado no mesmo mês de 2025.
O cenário ganha relevância diante da elevada dependência brasileira de fornecedores internacionais. Cerca de 85% dos fertilizantes consumidos no país são provenientes do exterior, segundo dados apresentados no contexto da aprovação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) pelo Senado.
A proposta, aprovada em agosto, busca estimular a produção nacional e reduzir a dependência das importações em um ambiente marcado por mudanças nos fluxos internacionais de fornecimento e incertezas geopolíticas.
Importações de ureia e MAP recuam
A movimentação das compras externas, entretanto, não é uniforme entre os diferentes nutrientes. No primeiro semestre de 2026, as importações brasileiras de ureia caíram 32%, enquanto as de MAP (fosfato monoamônico) recuaram 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da StoneX.
Já as compras de cloreto de potássio avançaram, favorecidas por melhores condições de aquisição e relações de troca mais atrativas. O comportamento distinto mostra que nitrogenados, fosfatados e potássicos vêm respondendo de maneiras diferentes às condições de preço, oferta e demanda.
O aumento dos custos também chega ao planejamento da safra 2026/27. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem alertando para a piora das relações de troca dos fertilizantes com importantes culturas agrícolas e para os impactos dos custos sobre os produtores. Câmbio, logística e instabilidade geopolítica estão entre os fatores que interferem nesse cenário.
Previsibilidade entra na conta
Em um mercado sujeito às oscilações internacionais, a previsibilidade no abastecimento também ganha importância nas decisões de compra, além do preço do produto.
Para Renan Coelho, diretor comercial da Katrium, indústria química brasileira que fornece derivados de potássio para diferentes aplicações no agronegócio, a análise deve considerar o custo total da operação.
“Quando o produtor ou a indústria avalia um fornecedor, é preciso considerar o custo total da operação. Preço é importante, mas qualidade constante, previsibilidade de entrega, logística e suporte técnico também interferem no resultado. Uma interrupção de abastecimento ou um produto fora de especificação pode gerar custos muito superiores à diferença inicialmente obtida na compra”, afirma.
Na prática, segundo Coelho, maior previsibilidade pode reduzir riscos de paradas, retrabalho e variações de especificação, além de permitir um planejamento mais adequado de estoques, produção e necessidades ao longo da safra.
A Katrium trabalha com contratos de médio prazo, estoques de segurança para linhas críticas, programação de entregas por janela e planos de contingência logística.
A companhia concentra parte de sua atuação no agronegócio em derivados de potássio, entre eles o hidróxido de potássio (KOH), utilizado em aplicações como a formulação de glifosato sal potássico e o ajuste de pH de formulações agrícolas, e o carbonato de potássio (K₂CO₃), empregado como fonte de potássio de alta pureza e em formulações que demandam controle e estabilidade.
“Quanto maior a incerteza externa, mais importante se torna aquilo que a empresa consegue controlar dentro da própria cadeia. Ter rastreabilidade, constância de especificação, planejamento logístico e alternativas para contingências reduz risco e permite que o cliente planeje melhor sua operação”, acrescenta Coelho.
O quadro de 2026 ocorre após o Brasil registrar um recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes importados em 2025, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Neste ano, a combinação de redução dos volumes adquiridos e preços mais elevados aumenta a atenção sobre custos e segurança de abastecimento para a próxima safra.




