A Cerradinho Logística quer construir um duto de 37,5 quilômetros para bombear etanol até Mato Grosso do Sul. O projeto pretende conectar Chapadão do Céu (GO) a Chapadão do Sul (MS), onde a companhia opera um terminal conectado à Ferronorte.
A iniciativa já entrou em uma etapa decisiva. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) firmou acordo para que o órgão ambiental de Goiás conduza o licenciamento, incluindo estudos técnicos e emissão das autorizações.
Hoje, o etanol produzido em Chapadão do Céu percorre de 40 a 44 quilômetros de caminhão até Chapadão do Sul. De lá, segue de trem para São Paulo, com destino ao polo de distribuição de Paulínia.
Com o duto, a Cerradinho deve registrar uma redução de custos porque bombear líquido por duto é operação contínua. Em contrapartida, o transporte por caminhão envolve carga, descarga, fila no terminal, motorista, combustível de frete e o risco de rodar com produto inflamável em rodovia.
Crescimento com milho
Além disso, o tamanho da operação ajuda a explicar o interesse em uma solução própria de transporte. Na safra 2025/26, segundo a CerradinhoBio, o grupo produziu 865 milhões de litros de etanol. Desse total, 687 milhões vieram das unidades de etanol de milho, ou seja, 79% do total.
Mas a presença da companhia em Mato Grosso do Sul vai além do terminal de Chapadão do Sul. A subsidiária Neomille opera, desde janeiro de 2024, uma fábrica de etanol de milho em Maracaju.
A primeira fase das obras recebeu R$ 1,08 bilhão e foi projetada para processar 608 mil toneladas de milho por ano e produzir 266 milhões de litros de etanol, além de DDG e óleo de milho. Segundo a empresa, a obra gerou cerca de 4,5 mil postos de trabalho e a operação mantém aproximadamente 200 empregos próprios.
Somando Goiás e Mato Grosso do Sul, a Cerradinho informa uma capacidade de armazenar 310 milhões de litros de etanol, sendo 260 milhões em Chapadão do Céu e 50 milhões em Maracaju.
Além disso, a companhia ampliou a unidade da Neomille em Chapadão do Céu, com investimentos de R$ 140 milhões, elevando em cerca de 30% a capacidade de processamento, para 1,2 milhão de toneladas de milho por ano.
Com a ampliação concluída, a capacidade conjunta das duas unidades dedicadas ao cereal subiu para cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano.
Conexão
O terminal de Chapadão do Sul se conecta à Ferronorte, operada pela Rumo, que entra em Mato Grosso do Sul por Aparecida do Taboado e passa pelas regiões de Inocência, Cassilândia e Chapadão do Sul antes de seguir para Mato Grosso.
Este é o corredor que leva a produção do Centro-Oeste a São Paulo sem depender de estrada. Por isso, há uma corrida de grandes empresas por terminais e ramais próprios no leste do estado. No setor de celulose, Suzano e Arauco fazem movimento semelhante.
Se sair do papel, o etanolduto pode transformar Chapadão do Sul em um ponto ainda mais central para o escoamento de biocombustível do Centro-Oeste. A Cerradinho não informou o valor do investimento no duto e nem o prazo da obra.
Crítica MS| Ricardo Eugenio





