Produção da União Europeia deve cair 19% em 2026/27, enquanto Green Pool projeta déficit mundial de 3,2 milhões de toneladas
Os preços do açúcar encerraram a sessão desta quinta-feira, 27, em forte alta nas bolsas internacionais, diante de novas projeções de redução da oferta global. Na ICE de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em outubro fechou cotado a 18,30 centavos de dólar por libra-peso, enquanto, em Londres, o açúcar branco para outubro terminou a US$ 527,60 por tonelada. Segundo o Barchart, as altas foram de 2,41% e 2%, respectivamente.
O movimento ocorreu após a divulgação de novas estimativas para a produção mundial. O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia projetou queda de 19% na produção de açúcar do bloco na safra 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.
Também nesta quinta-feira, a Green Pool Commodity Specialists estimou um déficit global de açúcar de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27. A consultoria ainda reduziu sua estimativa de superávit para a temporada anterior para 4,85 milhões de toneladas, ante 4,93 milhões de toneladas projetadas em julho.
As novas projeções reforçam um cenário de maior aperto na oferta que vem sustentando os preços nas últimas semanas. Na quinta-feira anterior, o açúcar negociado em Nova York havia atingido o maior nível em 15 meses, enquanto Londres alcançou a máxima em 17 meses.
Outro fator acompanhado pelo mercado é a Índia. O governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. O país, segundo maior produtor mundial da commodity, tradicionalmente atua como exportador e não realizava importações relevantes desde a temporada 2017/18.
As condições climáticas no país também seguem no radar. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas acumuladas durante a temporada de monções estavam 13% abaixo da média até 26 de agosto. O déficit, no entanto, diminuiu em relação aos 42% registrados no fim de junho.
No fim de julho, o órgão meteorológico indiano já havia indicado que as precipitações durante agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo da normalidade. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
Déficits ganham força nas projeções
A Green Pool se soma a outras consultorias que vêm revisando para baixo suas estimativas para o balanço mundial de açúcar em 2026/27.
No início de agosto, a Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas. A StoneX, por sua vez, elevou no fim de julho sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas estimadas em maio.
A Czarnikow também revisou seu balanço para 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas. Para a safra 2027/28, a trading estima um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas.
Segundo a Czarnikow, a produção mundial deve recuar 0,7% em 2027/28, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos sobre as safras da Índia, União Europeia e Tailândia.
Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas também têm afetado a produção. Dados da S&P Global Energy indicam que a produção conjunta da União Europeia e do Reino Unido deve cair para 14,98 milhões de toneladas neste ano, menor volume em 11 anos.
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os dados de junho também mostraram redução na produção. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a fabricação de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 3,903 milhões de toneladas.
Com informações da Barchart





