Produtividade agrícola avançou 3,2%, para 92,9 t/ha, enquanto EBITDA ajustado somou R$ 176,3 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27
A Zilor encerrou o primeiro trimestre da safra 2026/27 com moagem de 3,89 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 7,9% em relação ao mesmo período da temporada anterior. No financeiro, a receita líquida consolidada recuou 15,9%, para R$ 717,3 milhões, enquanto o EBITDA ajustado caiu 39%, para R$ 176,3 milhões. A companhia registrou ainda prejuízo líquido de R$ 73,1 milhões, ante lucro de R$ 242,7 milhões no 1T26.
Segundo a Zilor, a redução da moagem esteve relacionada às chuvas concentradas durante o trimestre, que diminuíram o número de dias disponíveis para processamento e atrasaram a moagem, principalmente na região de Lençóis Paulista. Nessa região, o volume processado caiu 15,9%, de 2,67 milhões para 2,25 milhões de toneladas. Em Quatá, a moagem avançou 1,1%, para 1,10 milhão de toneladas, enquanto Lucélia registrou crescimento de 16,7%, para 539 mil toneladas.
Do total processado, 1,91 milhão de toneladas foram provenientes de cana própria, alta de 5,4% sobre o 1T26. A moagem de matéria-prima de terceiros recuou 17,9%, para 1,98 milhão de toneladas. Com isso, a participação da cana própria passou de 42,8% para 49% no período.
Apesar da menor moagem, a produtividade agrícola medida em toneladas de cana por hectare (TCH) aumentou 3,2%, de 90,1 t/ha para 92,9 t/ha. Segundo a empresa, o resultado foi favorecido pelas chuvas dos últimos quatro meses da safra anterior e pelo pacote tecnológico adotado nos canaviais, com técnicas de manejo e investimentos, entre eles a fertirrigação.
O maior avanço de produtividade, segundo a companhia, ocorreu em Lucélia, onde o TCH passou de 80 para 93,9 t/ha, crescimento de 17,3%. Em Lençóis Paulista, o indicador subiu 4%, para 96,9 t/ha. Quatá apresentou redução de 2,8%, para 84,4 t/ha.
Já o Açúcar Total Recuperável (ATR) médio caiu 5,4%, de 123,6 para 116,9 kg por tonelada de cana. Em Lençóis Paulista, o ATR recuou 2,6%, para 121,8 kg/t; em Quatá, caiu 7,2%, para 113,6 kg/t; e, em Lucélia, houve redução de 12,4%, para 103,6 kg/t. A companhia atribuiu o movimento aos efeitos das chuvas sobre a concentração de açúcar na matéria-prima.
Na mensagem que acompanha a divulgação dos resultados, o CEO da Zilor, André Inserra, destacou a diferença entre o impacto climático sobre a moagem e a evolução da produtividade. “Embora a moagem tenha sido impactada pelas chuvas concentradas no período, observamos avanços importantes nos indicadores agrícolas. A produtividade dos canaviais apresentou evolução, resultado dos investimentos realizados ao longo dos últimos anos em tecnologia, manejo, renovação de áreas e aumento da eficiência operacional.”
Produção de açúcar cai 34,5%
A Zilor produziu 151,2 mil toneladas de açúcar no 1T27, queda de 34,5% em relação às 230,9 mil toneladas do mesmo período da safra anterior. A produção de açúcar branco ficou em 23,8 mil toneladas, redução de 17%, enquanto a de açúcar bruto caiu 35,3%, para 120,8 mil toneladas. O volume de fermentable sugar (FS) recuou 57,3%, para 6,6 mil toneladas.
A participação do açúcar no mix, desconsiderando o FS, passou de 45,2% para 35,2%, queda de 10 pontos percentuais. De acordo com a companhia, a redução refletiu, além da menor moagem, a priorização de um mix mais alcooleiro diante das condições de mercado.
A produção de etanol, por sua vez, cresceu 1,7%, totalizando 174,1 mil metros cúbicos. A fabricação de etanol anidro avançou 5,6%, para 86,1 mil metros cúbicos, enquanto a de hidratado recuou 1,9%, para 88 mil metros cúbicos.
Na comercialização, o volume de açúcar vendido caiu 22,7%, de 183,1 mil para 141,6 mil toneladas. O preço médio realizado recuou 15,6%, para R$ 1.852,90 por tonelada. Com a combinação de menor volume, menor preço médio e câmbio menos favorável, a receita líquida com açúcar caiu 34,8%, de R$ 402,1 milhões para R$ 262,3 milhões. Segundo a Zilor, sua estratégia de hedge contribuiu para mitigar o efeito da queda das cotações.
Inserra destacou que a proteção de preços faz parte da estratégia adotada pela companhia para atravessar períodos de maior volatilidade. “Nossa estratégia de hedge a mercado, a diversificação das fontes de receita e a parceria com a Copersucar continuam sendo importantes instrumentos para reduzir volatilidades.”
No etanol, o volume comercializado cresceu 26,7%, de 117,8 mil para 149,3 mil metros cúbicos, enquanto o preço médio realizado recuou 12,7%, de R$ 2.766,30 para R$ 2.415,80 por metro cúbico. A receita líquida do produto aumentou 10,7%, para R$ 360,6 milhões. A companhia informou ainda que houve maior comercialização de etanol anidro no trimestre, em razão do aumento da mistura do biocombustível na gasolina.
Na bioeletricidade, o volume exportado caiu 35,8%, de 255,2 mil para 163,7 mil MWh, refletindo, segundo a Zilor, as interrupções e a menor moagem provocadas pelas chuvas. Já o volume comercializado, que inclui energia exportada e garantias físicas, aumentou 4,1%, para 250,3 mil MWh, enquanto o preço ajustado avançou 7%, para R$ 257,40/MWh. A receita líquida com bioeletricidade ficou em R$ 58,3 milhões, alta de 0,6%.
A companhia ressalta, porém, que houve mudança no critério contábil para os custos de energia não entregue. A partir desta safra, esses valores passaram a ser registrados no custo, enquanto no período anterior eram redutores da receita. Considerando o mesmo critério nos dois períodos, a receita de bioeletricidade teria recuado 23,1%.
A receita com CBIOs caiu de R$ 8,1 milhões para R$ 1,3 milhão. O volume negociado aumentou 14,7%, para 214,6 mil créditos, mas o preço médio recuou 60,9%, para R$ 16,90 por CBIO. O resultado também incorporou um efeito não recorrente referente ao repasse de CBIOs a parceiros agrícolas relativo à safra anterior. Sem esse efeito, segundo a companhia, a receita ajustada seria de R$ 3,6 milhões.
Já a receita líquida de levedura para nutrição animal somou R$ 25,9 milhões, queda de 38,4%. A Zilor destaca que a base de comparação do 1T26 continha R$ 14,8 milhões em efeitos extraordinários relacionados ao carve-out da Biorigin; excluído esse montante, a receita comparável do período anterior seria de R$ 27,2 milhões. Todo o açúcar e o etanol produzidos pela Zilor são comercializados pela Copersucar, da qual a companhia possui cerca de 12% do capital.
Receita cai 15,9% e EBITDA ajustado recua 39%
A receita líquida consolidada da Zilor alcançou R$ 717,3 milhões no primeiro trimestre, ante R$ 853,3 milhões no 1T26. Além dos R$ 262,3 milhões provenientes do açúcar e dos R$ 360,6 milhões do etanol, a receita foi composta por R$ 58,3 milhões de bioeletricidade, R$ 25,9 milhões de levedura para nutrição animal, R$ 1,3 milhão de CBIOs e R$ 8,9 milhões classificados como outros.
O custo dos produtos vendidos somou R$ 741,6 milhões, aumento de 2,5%. Desconsiderando a variação do valor justo dos ativos biológicos, o CPV ficou em R$ 709,1 milhões, 11,2% acima dos R$ 637,9 milhões do 1T26. A companhia relacionou o aumento do custo ajustado às condições climáticas, à menor qualidade da cana, à redução do volume produzido e à mudança no mix de vendas, com maior participação do etanol.
O resultado bruto foi negativo em R$ 24,4 milhões, ante lucro bruto de R$ 129,9 milhões no mesmo período da safra anterior. A margem bruta passou de 15,2% para -3,4%.
As despesas com vendas somaram R$ 10 milhões, queda de 14,3%, enquanto as despesas gerais e administrativas recuaram 20,2%, para R$ 48,9 milhões. Consideradas em conjunto e excluídas outras receitas e despesas, as duas linhas apresentaram redução de 19,3% no trimestre. As outras receitas operacionais líquidas somaram R$ 4,2 milhões, ante R$ 347,4 milhões no 1T26, período que havia sido beneficiado principalmente pelo ganho de capital decorrente da venda da divisão Biorigin para a Lesaffre.
Ao comentar a condução da companhia no período, Inserra afirmou: “Também seguimos rigorosos na gestão de custos, despesas e investimentos. Permanecemos atentos à alocação eficiente de capital.”
O EBITDA ajustado atingiu R$ 176,3 milhões, redução de 39% ante os R$ 289,1 milhões registrados um ano antes. A margem EBITDA ajustada caiu de 33,9% para 24,6%. Já o EBIT ajustado ficou negativo em R$ 84,4 milhões, frente a resultado positivo de R$ 48,8 milhões no 1T26, com margem de -11,8%, ante 5,7% anteriormente.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 47,1 milhões, frente ao resultado também negativo de R$ 68,5 milhões no primeiro trimestre da safra passada. Antes dos impostos, a companhia registrou prejuízo de R$ 116,8 milhões. Após imposto de renda e contribuição social, o prejuízo líquido ficou em R$ 73,1 milhões, comparado ao lucro de R$ 242,7 milhões do 1T26.
Ao fim de junho, a Zilor mantinha R$ 2,24 bilhões em caixa e equivalentes, 11,8% acima do registrado um ano antes. A dívida bruta alcançou R$ 4,09 bilhões, alta de 10,6%, e a dívida líquida ficou em R$ 1,85 bilhão, avanço de 9,1%. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses passou de 1,45 vez para 1,56 vez. Do endividamento total, 71,8% estava concentrado no longo prazo e 28,2% no curto prazo.
Os investimentos, incluindo tratos culturais, totalizaram R$ 172,7 milhões no 1T27, aumento de 1,4%. O Capex total, sem os R$ 53,9 milhões destinados a tratos culturais, somou R$ 118,8 milhões, alta de 5,1%. Os investimentos em plantio de cana ficaram em R$ 89 milhões, enquanto a manutenção de entressafra recebeu R$ 11,2 milhões e os investimentos industriais e agrícolas somaram R$ 11,3 milhões.
Para a safra 2026/27, a Zilor informou ter fixado 341 mil toneladas de açúcar ao preço médio de R$ 2.438 por tonelada, equivalente a 85% de sua exposição para o período. Para 2027/28, as fixações somavam 129 mil toneladas, ao preço médio de R$ 2.109 por tonelada, correspondentes a 28% da exposição prevista para a temporada.
Natália Cherubin para RPAnews


