Contrato de outubro ficou estável em Nova York e recuou 0,66% em Londres; medidas do governo indiano podem ampliar disponibilidade doméstica
Os preços internacionais do açúcar encerraram a sessão da última sexta-feira, 4, sem direção única, pressionados pela expectativa de que a Índia possa importar menos açúcar do que inicialmente previsto. Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato de outubro do açúcar bruto fechou estável, cotado a 18,03 centavos de dólar por libra-peso. Já na ICE Futures Europe, em Londres, o vencimento de outubro do açúcar branco recuou 0,66%, ou US$ 3,50 por tonelada, para US$ 523,20 por tonelada, segundo o Barchart.
A pressão sobre as cotações ocorreu após o governo indiano reduzir o limite de estoques de açúcar mantidos pelos comerciantes no país de 400 para 200 toneladas. A medida entra em vigor em 15 de setembro e permanece válida até 20 de novembro, com o objetivo de conter a retenção de estoques e ampliar a disponibilidade do produto no mercado doméstico.
Segundo o Barchart, a iniciativa pode colocar mais açúcar disponível no mercado interno e, consequentemente, reduzir a necessidade de importações pela Índia.
Déficit global segue no radar
Apesar da pressão observada nas duas últimas sessões, o mercado vinha sendo sustentado pelas perspectivas de déficit na oferta global. Na quarta-feira, o açúcar negociado em Nova York atingiu a máxima em 16,75 meses, enquanto Londres alcançou o maior nível em uma semana.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A Green Pool Commodity Specialists estima um déficit ainda maior, de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27. A consultoria também reduziu sua projeção para o superávit global de 2025/26, de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.
Na União Europeia, o Observatório do Mercado de Açúcar projeta queda de 19% na produção em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.
A Covrig Analytics também passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, frente à estimativa anterior, divulgada em junho, de superávit de 100 mil toneladas.
Já a StoneX elevou sua estimativa para o déficit mundial de açúcar em 2026/27 para 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas projetadas anteriormente.
Monções seguem abaixo da média na Índia
Outro fator acompanhado pelo mercado é o comportamento das chuvas na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o volume acumulado durante a temporada de monções estava 13% abaixo da média até 4 de setembro.
O déficit, no entanto, diminuiu significativamente em relação ao fim de junho, quando as precipitações estavam 42% abaixo do normal.
O Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos. O período de chuvas no país ocorre entre junho e setembro. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Com informações da Barchart




