Companhia encerrou a safra 2025/26 com 68,19% da cana processada certificada e prevê substituir cerca de 30% do consumo atual de nitrogênio por fertilizantes de baixo carbono
A Tereos encerrou a safra 2025/26 com 68,19% do volume total de cana-de-açúcar processada certificado com base em normas reconhecidas internacionalmente e avançou em iniciativas voltadas à redução das emissões de carbono no campo, na indústria e na logística. Os resultados fazem parte do Relatório de Sustentabilidade 2025/2026, divulgado pela companhia em setembro.
Entre as ações apresentadas estão a ampliação das práticas de agricultura regenerativa, o maior uso de bioinsumos, testes com tratores movidos a etanol e equipamentos autônomos, além de projetos para utilização de fertilizantes nitrogenados de baixo carbono.
A companhia possui metas climáticas validadas pela Science Based Targets Initiative (SBTi) e pretende reduzir, até a safra 2032/33, em 50% as emissões dos escopos 1 e 2 e em 36% as emissões de escopo 3 e aquelas relacionadas ao uso da terra e à agricultura, classificadas como FLAG. A meta de longo prazo é atingir emissões líquidas zero até 2050.
“Os resultados desta safra reforçam que a descarbonização deve avançar de forma integrada em toda a cadeia. Com metas climáticas claras, seguimos combinando produtividade, resiliência e redução de emissões para construir um negócio cada vez mais sustentável e competitivo”, afirma Felipe Mendes, diretor de Sustentabilidade, Novos Negócios e Relações Institucionais da Tereos.
Agricultura regenerativa e redução de insumos
No campo, a Tereos ampliou a adoção de práticas de agricultura regenerativa e de baixo carbono, com iniciativas direcionadas à saúde do solo, eficiência no uso de insumos e aproveitamento de subprodutos da produção.
Durante a safra, a companhia expandiu a aplicação de vinhaça em seus canaviais próprios e o uso de bioinsumos, incluindo fungicidas, nematicidas e inseticidas biológicos, além de inoculantes e bioestimulantes.
A empresa também firmou parceria com a Atlas Agro para futura aquisição de fertilizantes nitrogenados de baixo carbono produzidos a partir de hidrogênio verde. A previsão é que esses produtos substituam aproximadamente 30% do consumo atual de nitrogênio nos canaviais da companhia.
Segundo a Tereos, a substituição tem potencial inicial para reduzir cerca de 8 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Na agricultura de precisão, o sistema de aplicação “bico a bico”, utilizado nas unidades Mandu e Vertente, proporcionou economia de 4% nos insumos empregados nos canaviais dessas operações.
A companhia também realizou testes com tratores autônomos. De acordo com o relatório, a tecnologia apresenta potencial para aumentar em até 20% o rendimento dos equipamentos e reduzir em até 10% o consumo de diesel.
Outro projeto avaliado durante o período envolveu tratores movidos a etanol, testados em condições reais de operação. A iniciativa faz parte da estratégia da empresa para avaliar alternativas ao diesel nas atividades agrícolas.
Certificações e rastreabilidade
Na safra 2025/26, a Unidade Cruz Alta conquistou a certificação Regenagri, voltada à adoção de práticas de agricultura regenerativa relacionadas à saúde do solo, biodiversidade e resiliência climática.
A Unidade Mandu recebeu a certificação ISCC CORSIA Low LUC Risk, relacionada à produção de etanol destinado a mercados com requisitos ambientais específicos, incluindo o segmento de combustíveis sustentáveis de aviação.
Ao final do período, 68,19% de toda a cana-de-açúcar processada pela Tereos estava certificada segundo normas reconhecidas internacionalmente. A companhia informou ainda que 100% da cana própria possui certificação Bonsucro, enquanto avança na certificação FSA/SAI da matéria-prima adquirida de fornecedores.
Na área industrial e energética, o bagaço da cana continua sendo utilizado para cogeração de energia elétrica nas unidades da companhia.
Na logística, Tereos e VLI realizaram a primeira operação ferroviária de transporte de açúcar com compensação de carbono no Brasil. A operação envolveu 6.500 toneladas do produto transportadas entre Guará (SP) e Santos (SP).
Segurança
O relatório também aponta redução de 40% nos acidentes com afastamento durante a safra 2025/26 em comparação com o ciclo anterior. Segundo a companhia, o resultado está relacionado às ações de prevenção, gestão de riscos, treinamento e fortalecimento da cultura de segurança.
O Relatório de Sustentabilidade 2025/2026 foi elaborado com base nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e incorpora indicadores do Sustainability Accounting Standards Board (SASB). O documento reúne informações sobre mudanças climáticas, uso da água, biodiversidade, segurança, diversidade, rastreabilidade e relacionamento com comunidades.




