Volume somou 19,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho; somente em junho, retração chegou a 17,2%
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, queda de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Apesar da redução, a entidade afirma que a demanda do agronegócio nacional foi atendida no período.
Somente em junho, foram entregues 3,55 milhões de toneladas, volume 17,2% inferior às 4,29 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano passado.
De acordo com a ANDA, as quedas refletem fatores como as adversidades do cenário geopolítico global, relações de troca acima das médias históricas, escassez de crédito, riscos de recuperações judiciais, juros elevados e ameaças climáticas, como o El Niño.
A entidade destaca que, no primeiro trimestre, houve impacto positivo da boa safrinha e as compras seguiam normalmente no início do ano. Após o começo da guerra no Irã, no entanto, a ANDA aponta arrefecimento de novos negócios, movimento percebido a partir de maio nas menores entregas e com reflexos também no mercado relacionado à safra 2026/27.
Mato Grosso permaneceu como o principal estado nas entregas de fertilizantes até junho, com 4,90 milhões de toneladas, correspondentes a 25,8% do total nacional.
Na sequência aparecem Paraná, com 2,15 milhões de toneladas; Goiás, com 2,01 milhões; São Paulo, com 2,00 milhões; e Minas Gerais, com 1,33 milhão de toneladas.
Produção e importações também recuam
A produção nacional de fertilizantes intermediários alcançou 533 mil toneladas em junho, queda de 12,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, foram produzidas 2,94 milhões de toneladas, retração de 16,3% frente às 3,51 milhões de toneladas registradas entre janeiro e junho do ano passado.
Segundo a ANDA, a redução está relacionada principalmente à produção brasileira de fosfatados e à alta contínua do enxofre, insumo utilizado nesse processo. A associação ressalta ainda que nem toda a produção nacional foi capturada nos dados do período, especialmente a de ureia e cloreto de potássio, em razão de mudanças na estrutura societária de empresas ou da retomada de produção em determinados ativos.
As importações de fertilizantes intermediários também diminuíram. Em junho, chegaram ao Brasil 3,17 milhões de toneladas, redução de 10,9%. No acumulado do primeiro semestre, as compras externas totalizaram 17,69 milhões de toneladas, queda de 4,2% ante as 18,47 milhões de toneladas importadas no mesmo período de 2025.
No Porto de Paranaguá, principal porta de entrada dos fertilizantes, foram desembarcadas 4,44 milhões de toneladas entre janeiro e junho, redução de 8,8% em relação às 4,87 milhões de toneladas do primeiro semestre de 2025. O terminal respondeu por 25,1% de todo o volume importado pelos portos brasileiros.
Natália Cherubin para RPAnews




