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S&P reafirma rating ‘brAAA’ da Jalles com recuperação da produtividade

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Agência projeta moagem de 8,1 milhões de toneladas na safra 2026/27 e mantém perspectiva estável para a companhia

A S&P National Ratings reafirmou o rating de crédito de emissor ‘brAAA’ da Jalles Machado, na Escala Nacional Brasil, com perspectiva estável, após a companhia apresentar recuperação da produtividade acima das expectativas no primeiro trimestre da safra 2026/27. Com o avanço do desempenho agrícola e a expansão da área de colheita, a agência projeta moagem de 8,1 milhões de toneladas de cana, ante 7,1 milhões de toneladas na temporada anterior.

A agência também reafirmou os ratings ‘brAAA’ das dívidas senior unsecured da companhia. Segundo a S&P, a perspectiva estável considera que a recuperação dos volumes, combinada à proteção proporcionada pelo hedge, deverá manter a alavancagem líquida ajustada abaixo de 2,5 vezes, além da expectativa de preservação de um expressivo colchão de liquidez nos próximos 12 a 24 meses.

Para a safra 2026/27, a S&P espera recuperação do TCH consolidado para aproximadamente 83 toneladas por hectare, além do aumento da área colhida. Nas unidades Jalles Machado e Otávio Lage, em Goiás, a produtividade historicamente supera 90 t/ha e permaneceu acima de 80 t/ha mesmo após a seca. Já a unidade Santa Vitória, em Minas Gerais, apresentou desempenho inferior, refletindo condições climáticas mais severas no Triângulo Mineiro e a maturação ainda em curso do canavial.

A expectativa da agência é que investimentos em irrigação, renovação e manejo reduzam gradualmente a diferença de produtividade da unidade mineira em relação às operações de Goiás.

Hedge amplia previsibilidade

A S&P também destacou a posição de hedge de açúcar da Jalles Machado. A companhia possui mais de 80% do volume da safra corrente e quase 40% da safra seguinte com preços fixados. A flexibilidade para ajustar o mix entre açúcar e etanol, a participação de produtos diferenciados e a política de hedge reduzem, segundo a agência, a exposição dos resultados às oscilações de preços.

Apesar da recuperação dos volumes, a agência não espera melhora imediata da geração de EBITDA e da alavancagem. O aumento da moagem deverá ser parcialmente compensado pelos preços mais baixos do açúcar e do etanol e pelos custos agrícolas ainda pressionados.

Nesse cenário, a S&P projeta EBITDA próximo de R$ 1,3 bilhão e relação entre dívida ajustada e EBITDA de aproximadamente 2,4 vezes, níveis semelhantes aos da safra 2025/26. Para os dois anos seguintes, a continuidade do crescimento dos volumes, a recuperação da produtividade agrícola e a maior diluição dos custos deverão elevar o EBITDA para cerca de R$ 1,6 bilhão e reduzir a alavancagem para aproximadamente 2 vezes.

A agência projeta ainda fluxo de caixa operacional livre positivo de aproximadamente R$ 161 milhões na safra 2027/28, ou cerca de R$ 68 milhões após os pagamentos de arrendamentos.

Liquidez permanece forte

A posição de liquidez também foi apontada pela S&P como um dos fatores de suporte ao rating. Em junho de 2026, a Jalles Machado tinha aproximadamente R$ 1,6 bilhão em caixa, diante de R$ 167 milhões em dívida de curto prazo. O prazo médio ponderado da dívida era de aproximadamente cinco anos.

A agência avalia o perfil de liquidez da companhia como forte e estima que as fontes disponíveis permaneçam confortavelmente superiores aos usos nos 12 meses seguintes a junho de 2026, inclusive em um cenário de estresse com redução de 30% do EBITDA em relação ao caso-base.

Entre as principais fontes de liquidez, a S&P considera o caixa de R$ 1,6 bilhão, geração interna de caixa em torno de R$ 1,2 bilhão e R$ 650 milhões em emissões de notas comerciais e dívida bancária em 2026. Entre os usos estão R$ 167 milhões em dívida de curto prazo, cerca de R$ 400 milhões em necessidades de capital de giro e aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.

No cenário-base da agência, a moagem deverá avançar para aproximadamente 8,6 milhões de toneladas em 2027/28 e 8,8 milhões de toneladas em 2028/29, enquanto o TCH consolidado deve alcançar entre 84 e 85 toneladas por hectare nas safras seguintes.

A perspectiva estável considera a continuidade da recuperação da produtividade agrícola e dos volumes de moagem, apesar da pressão dos preços menores de açúcar e etanol e dos custos agrícolas ainda elevados. A S&P projeta relação entre dívida ajustada e EBITDA de aproximadamente 2,4 vezes em 2027, 2 vezes em 2028 e abaixo desse patamar posteriormente.

Natália Cherubin para RPAnews

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