Valorização do real favoreceu cobertura de posições vendidas em Nova York, enquanto preocupações com a demanda seguem pressionando o mercado
Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira em direções opostas nas bolsas internacionais, após atingirem mínimas de três semanas e meia durante a sessão. Segundo o Barchart, o açúcar bruto negociado em Nova York para outubro avançou 0,69%, encerrando cotado a 18,43 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco para dezembro, em Londres, recuou 0,26%, para US$ 505,40 por tonelada.
A recuperação em Nova York ocorreu com um movimento de cobertura de posições vendidas, após o real brasileiro alcançar o maior nível em uma semana frente ao dólar. A valorização da moeda brasileira tende a desestimular as vendas externas pelos produtores de açúcar do país.
Apesar da reação, os preços do açúcar vêm sendo pressionados nos últimos dias por preocupações relacionadas à demanda. Um dos sinais apontados pelo mercado foi a entrega de 499,35 mil toneladas de açúcar contra o contrato de outubro de Londres, que expirou na semana passada. O volume ficou 91% acima do registrado um ano antes e foi um dos maiores já observados para um contrato de outubro, indicando demanda física mais fraca.
Outro fator de atenção é o elevado volume de posições compradas pelos fundos. O relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) mostrou que os fundos ampliaram em 791 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar em Nova York na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342 contratos, o maior nível em quase três anos. Esse posicionamento pode ampliar eventuais movimentos de liquidação de posições compradas.
Déficit global segue no radar
Por outro lado, as perspectivas de déficit na oferta mundial continuam oferecendo suporte ao mercado. Em 1º de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a temporada 2026/27, ante superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas para 2025/26.
Na Tailândia, segundo a Thai Sugar Millers Corp, a produção de açúcar na safra 2026/27 pode cair 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Outras consultorias também projetam oferta global mais apertada. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, após anteriormente prever superávit de 100 mil toneladas. Já a StoneX elevou sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas, ante estimativa anterior de 550 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas, diante da expectativa de redução dos plantios de cana-de-açúcar e beterraba. A consultoria estima produção mundial de 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% na comparação anual, principalmente em razão de impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
Com informações da Barchart



