Segmento avançou mesmo diante da queda de 2,9% da agroindústria brasileira no mês; aumento da moagem e maior qualidade da cana impulsionaram produção
A produção de biocombustíveis cresceu 6,1% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionada pelo aumento da moagem e pela maior qualidade da cana-de-açúcar, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do FGV Agro. O resultado ocorreu na contramão da agroindústria brasileira, que registrou retração de 2,9% no período.
No segmento de Produtos Não Alimentícios, que apresentou queda de 4,5% na comparação interanual, apenas biocombustíveis e fumo tiveram crescimento em julho. Enquanto os biocombustíveis avançaram 6,1%, a produção de fumo aumentou 23,6%, registrando a terceira alta interanual consecutiva e o melhor resultado para julho desde 2018.
O desempenho dos biocombustíveis também foi positivo na comparação mensal. Entre junho e julho, considerando os ajustes sazonais, a produção do segmento cresceu 4,3%. No mesmo período, a agroindústria como um todo avançou 0,4%.
De janeiro a julho, os biocombustíveis acumularam crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025. O segmento está entre os únicos de Produtos Não Alimentícios que permanecem em campo positivo no acumulado do ano.
O cenário contrasta com o desempenho geral da agroindústria, que acumulou retração de 0,8% nos primeiros sete meses de 2026. Produtos Alimentícios e Bebidas cresceram 0,6% no período, enquanto Produtos Não Alimentícios recuaram 2,5%.
Em julho, especificamente, a queda de 2,9% da agroindústria foi resultado das retrações de 1,6% em Produtos Alimentícios e Bebidas e de 4,5% em Produtos Não Alimentícios.
Dentro de Produtos Alimentícios, a produção caiu 2,6%. Os alimentos de origem vegetal recuaram 3,8%, desempenho que, segundo o FGV Agro, foi influenciado pela menor produção de produtos da moagem de trigo e de açúcar refinado. Em sentido contrário, conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café apresentaram expansão.
Já a produção de bebidas aumentou 5% em julho, com crescimento de 6,8% nas bebidas alcoólicas e de 3,3% nas não alcoólicas.
Na avaliação dos pesquisadores do PIMAgro, a contração observada em julho acompanha o desempenho da economia brasileira. O estudo cita a queda de 0,9% da Indústria de Transformação no segundo trimestre e aponta entre os fatores associados ao cenário a elevada taxa de juros e o esgotamento do modelo de crescimento puxado pelo consumo das famílias.
Apesar do resultado interanual negativo, o FGV Agro destaca que todos os grandes segmentos apresentaram crescimento na comparação entre junho e julho. O instituto pondera, porém, que será necessário acompanhar as próximas divulgações para avaliar se o movimento representa uma recuperação da atividade.
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