Home Últimas Notícias Eleições de 2026: cenário fiscal e juros serão decisivos para o setor produtivo em 2027, avalia Blue3
Últimas Notícias

Eleições de 2026: cenário fiscal e juros serão decisivos para o setor produtivo em 2027, avalia Blue3

Compartilhar

Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, aponta dívida elevada, orçamento pressionado e juros altos entre os principais desafios após as eleições

O próximo presidente da República deverá assumir o país em um ambiente de forte restrição fiscal, com dívida pública elevada, pouco espaço no orçamento para investimentos e juros ainda altos. Na avaliação de Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, o primeiro ano do novo mandato será determinante para a construção da credibilidade da política econômica e para a trajetória dos juros, do câmbio e dos investimentos.

A análise foi feita após o primeiro turno das eleições presidenciais, que levou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno. Para Simioni, além da disputa presidencial, a composição política resultante das eleições deverá ter impacto direto sobre a capacidade do próximo governo de avançar com medidas fiscais e reformas estruturais.

Um dos principais pontos de atenção é a trajetória da dívida pública. A Instituição Fiscal Independente (IFI) projeta que a dívida bruta do governo geral passe de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para 86,4% em 2027. A instituição também estima déficit de 0,6% do PIB para o Governo Central no próximo ano.

Na avaliação de Simioni, esse quadro limita a margem de atuação do próximo presidente porque a maior parte do orçamento já está comprometida com despesas obrigatórias. O economista destaca que gastos com folha de pagamento, Previdência e benefícios reduzem o espaço disponível para investimentos e outras despesas discricionárias.

Ajuste fiscal deve influenciar trajetória dos juros

Simioni avalia que a condução da política fiscal será um dos fatores determinantes para o comportamento dos juros nos próximos anos. Uma estratégia capaz de reduzir o déficit e estabilizar a dívida poderia abrir espaço para uma flexibilização gradual da política monetária, enquanto dúvidas sobre a execução das medidas tenderiam a manter o prêmio de risco elevado.

Segundo a análise, uma maioria política no Congresso, por si só, não garante melhora estrutural da economia. O resultado dependerá da qualidade das reformas aprovadas e da capacidade de reduzir desequilíbrios de longo prazo.

“Uma maioria confortável facilita a tramitação, mas não substitui a necessidade de um plano fiscal robusto e de alinhamento entre discurso e execução”, afirma Simioni.

Entre as medidas discutidas pelo economista estão mudanças capazes de conter o crescimento das despesas obrigatórias, revisão de benefícios fiscais, ajustes nas regras fiscais, privatizações e novas etapas de simplificação tributária.

A própria IFI projeta desaceleração da economia em 2027. A estimativa da instituição é de crescimento de 1,8% do PIB no próximo ano, ante 2% em 2026, enquanto a Selic encerraria 2027 em 12% ao ano.

Qualidade do ajuste será determinante

Para Simioni, o desafio não se resume à redução de despesas. A composição do gasto público também será determinante para evitar que o ajuste recaia principalmente sobre investimentos capazes de aumentar a produtividade da economia.

Na análise, juros estruturalmente elevados ampliam o custo de financiamento da dívida e pressionam as despesas discricionárias. Como grande parte do orçamento está vinculada a gastos obrigatórios, investimentos em infraestrutura, inovação e manutenção dos serviços públicos tendem a ficar mais expostos a contingenciamentos.

O economista defende que uma estratégia de consolidação fiscal combine revisão de despesas de baixo retorno, redução de renúncias tributárias consideradas ineficientes e preservação de investimentos produtivos. O objetivo seria criar condições para elevar a produtividade e o crescimento potencial da economia, reduzindo, no longo prazo, a pressão da dívida sobre as contas públicas.

Para Simioni, independentemente do resultado do segundo turno, 2027 será decisivo para mostrar se o próximo governo conseguirá conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e manutenção das políticas públicas.

Na avaliação do economista, o desempenho da próxima gestão dependerá menos da quantidade de medidas aprovadas e mais da capacidade de transformar o ajuste fiscal em uma estratégia que favoreça produtividade, investimento, geração de renda e sustentabilidade das contas públicas.

Natália Cherubin com informações da Blue3

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Baixo consumo de etanol pode limitar expansão do processamento de milho no país

A expansão do etanol de milho no Brasil pode esbarrar na falta...

Últimas Notícias

Cosan reavalia venda de ativos após redução da dívida e alta impulsionada por eleição

Segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News,...

Últimas Notícias

Exportações de açúcar recuam 16,8% em setembro e receita cai quase 25%

Brasil embarcou 2,7 milhões de toneladas no mês, enquanto preço médio do...