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Especial RH: Cuidado! Treinamento pode ser uma fria.

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Será que a empresa está preparada para dar terinamento?

por Renato Fazzolari

Existem algumas circunstâncias em que se pretende fazer algo para se obter um bom resultado, porém o resultado acaba saindo exatamente ao contrário do que desejamos; “o tiro sai pela culatra”. Isto é normal acontecer em relação aos treinamentos que as empresas buscam dar a seus funcionários. Vamos explicar:

“LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE”. Quem já não ouviu falar deste lindo ideal da maçonaria? Quando ouvimos estas três palavras, imediatamente associamos com nobres ideais e objetivos. Mas será que isso é verdade? Se na mesma ordem das palavras apresentadas tivermos condições e predisposições de RESPONSABILIDADE, AMOR, MATURIDADE, não tenha a mínima dúvida de que esses ideais serão muito bons e atingirão excelentes resultados. Porém, se as condições e predisposições forem de IRRESPONSABILIDADE, ÓDIO, IMATURIDADE, com certeza os resultados serão um desastre.

Dei o exemplo acima para elucidar um dos mais comuns equívocos que acontecem quando o assunto é treinamento, onde se subestima o planejamento, as condições e predisposições, quando o foco é pontual não se levando em conta o cenário como um todo.

Para ficar mais claro, vou dar apenas dois exemplos clássicos, do que acontece comumente nas empresas. Consideremos que os treinamentos são normalmente comportamentais ou técnicos. Vamos analisar ambos os casos:

No treinamento comportamental, digamos que a empresa deseja fazer treinamento de lideranças para os supervisores e líderes, sendo que não participarão os gerentes e os diretores.

Com o treinamento, os treinados (supervisores) irão adquirir conhecimentos de liderança, bem como, se tornarão conscientes das expectativas que os subordinados esperam de um bom líder. No entanto, como os níveis gerenciais e a diretoria não participaram deste mesmo treinamento, irão continuar “liderando” da mesma maneira, com as virtudes e defeitos, os supervisores (subordinados), que agora já sabem o que é ser um bom líder, e fatalmente estarão em desacordo com o ensinado no treinamento. Como consequência, teremos aí o já conhecido dito popular “Faça o que digo e não o que faço”. Dessa maneira será inviável colocar em prática o que o treinamento se propôs, e se estabelecerá os relacionamentos desarmônicos e conflitantes, e o treinamento que era para corrigir uma situação, acaba agravando-a.

No treinamento técnico, digamos que se tenha um profissional de nível Júnior, que com os treinamentos se tornará um nível Sênior. Porém, se a empresa não tiver um plano de carreira compatível, e o salário do profissional continuar sendo o mesmo de quando era Júnior, as possíveis consequências (e o que é bem comum acontecer) serão: a) a desmotivação do profissional. b) o profissional, por não se sentir prestigiado na empresa acaba indo para a concorrência, a qual ficará fortalecida e se aproveitará do investimento que foi feito no profissional.

Estes dois exemplos simples, servem para elucidar o quanto pode haver de imaturidades organizacionais e profissionais, na condução dos programas de treinamento. Mostra também o quanto é importante um planejamento sério para se obter retorno positivo nas ações de treinamento, sem correr o risco de se auto enganar, praticando um erro com a certeza de se estar fazendo a coisa certa.

Nossa opinião é que treinamento é vital para uma empresa se modernizar, se atualizar, se tornar mais competitiva, enfim, acompanhar as exigências do mercado, no entanto, sugerimos que antes de fazer um programa de treinamento, observe se todas as condições que precedem ao treinamento estão sendo observadas, para não correr o risco de colher resultados contrários ao esperado.

 

*Renato Fazzolari é fundador da AGRHO Headhunting, psicólogo, terapeuta transpessoal, escritor, articulista da UDOP, palestrante e conferencista em congressos e seminários. Ex-Gerente e Diretor de Recursos Humanos em empresas nacionais e multinacionais.

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