Previsões de intensificação das chuvas no Centro-Sul e riscos climáticos para a produção mundial impulsionam as cotações; fundos ampliam posições compradas
Os preços do açúcar registraram forte valorização nas bolsas internacionais nesta segunda-feira, 12, impulsionados pelas preocupações com os possíveis impactos de um Super El Niño sobre a produção global e pela previsão de intensificação das chuvas no Centro-Sul do Brasil. Segundo a Barchart, o açúcar bruto negociado em Nova York, no contrato para março de 2027, avançou 2,96%, ou 0,60 centavo de dólar, encerrando a sessão a 20,85 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco com vencimento em dezembro subiu 3,35%, equivalente a US$ 18,20, fechando a US$ 560,70 por tonelada.
A valorização ganhou força ao longo do pregão após as previsões meteorológicas indicarem aumento das chuvas nas regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil nesta semana. A expectativa é de que as precipitações possam provocar novos atrasos na colheita e interrupções na moagem das usinas, restringindo temporariamente a oferta de açúcar.
O mercado também reagiu às informações divulgadas na sexta-feira, 9, pela Agência Meteorológica do Japão, que apontou temperaturas da superfície do Oceano Pacífico tropical 4°C acima do normal em setembro, o maior nível registrado desde 1949. Segundo a agência, há 100% de probabilidade de o El Niño persistir durante o inverno do Hemisfério Norte, prolongando-se até o primeiro trimestre de 2027.
A possibilidade de um episódio de intensidade excepcional aumenta as preocupações com seus efeitos sobre a produção de açúcar em importantes países produtores, especialmente Brasil, Índia e Tailândia. O fenômeno pode alterar os regimes de precipitação e provocar períodos de seca, chuvas excessivas e oscilações de temperatura, com reflexos sobre o desenvolvimento dos canaviais e a oferta mundial.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) também indicou que o El Niño poderá estar entre os mais intensos dos últimos 75 anos, ampliando os riscos de condições meteorológicas adversas em regiões produtoras da América do Sul e da Ásia.
Chuvas no Centro-Sul e atuação dos fundos
No Brasil, as chuvas persistentes já vinham dificultando o avanço da colheita de cana-de-açúcar e provocando interrupções nas operações de moagem das usinas do Centro-Sul. Esse cenário contribuiu para a valorização dos contratos de açúcar na semana anterior.
Na quarta-feira, 7, o açúcar bruto negociado em Nova York atingiu o maior patamar em 19 meses, considerando os contratos mais próximos do vencimento, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou seu maior nível em 22 meses.
Além das preocupações climáticas, o aumento das posições compradas dos fundos de investimento tem contribuído para sustentar os preços internacionais. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na sexta-feira, 9, os fundos ampliaram em 60.442 contratos suas posições compradas líquidas em açúcar na bolsa de Nova York, na semana encerrada em 6 de outubro.
Com isso, a posição líquida comprada atingiu 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos, indicando uma maior exposição dos investidores à expectativa de valorização da commodity.
A combinação entre os riscos climáticos para a produção mundial, os possíveis atrasos na moagem brasileira e o aumento das posições compradas dos fundos permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações internacionais do açúcar.
Com informações da Barchart

