Os futuros do petróleo fecharam em queda de quase US$ 2 por barril nesta terça-feira, 27, com os operadores focados nas negociações de paz no Oriente Médio.
No entanto, os preços permaneceram próximos da maior cotação em seis meses, à medida que o conflito entre os houthis e a Arábia Saudita continuava acirrado e os investidores se mostravam preocupados com a possibilidade de novos confrontos na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Os futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 113,88 o barril, uma queda de US$ 1,93, ou 1,8%. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos encerrou a US$ 99,90 o barril, uma retração de US$ 1,86, ou 1,83%.
Não se esperava que a queda dos futuros do petróleo nesta terça-feira se traduzisse em preços mais baixos nos postos de combustível para os consumidores.
“Enquanto a capacidade de refino e os custos de transporte permanecerem elevados, e enquanto os riscos no Oriente Médio e a demanda por exportação de diesel continuarem em jogo, o petróleo pode enfraquecer sem trazer alívio imediato nos postos de gasolina ou no mercado de atacado”, disse o analista sênior do Price Futures Group, Phil Flynn.
Ele completa: “Os operadores acompanharão os números do Instituto Americano de Petróleo (API) desta noite e o relatório da Administração de Informação de Energia dos EUA (AIE) de amanhã para confirmar se o lado dos produtos está começando a se flexibilizar ou se as restrições estruturais ainda prevalecem”.
O chefe do conselho de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, reuniu-se com o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, nesta terça-feira, um dia após manter conversações com representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão.
Os quatro países concordaram em continuar as negociações com o objetivo de fortalecer a cooperação em prol da paz e da segurança, informou a mídia estatal iraniana.
As perspectivas de paz foram abaladas pelos novos ataques dos houthis do Iêmen – alinhados ao Irã – contra a Arábia Saudita, importante produtora de petróleo. Os houthis afirmaram nesta terça-feira que haviam atingido a refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita – a maior do reino –, com um míssil balístico.
“Os contínuos ataques houthis à Arábia Saudita e a crescente presença militar no Golfo mantêm os riscos ao abastecimento, mesmo que as notícias diplomáticas incentivem a redução de parte do prêmio recente”, afirmaram analistas da Gelber & Associates em uma nota.
Outubro foi o pior mês em termos de ataques à navegação comercial no Estreito de Ormuz e nas vias navegáveis próximas, de acordo com dados compilados por um think tank com sede em Washington que acompanha incidentes de segurança marítima em todo o mundo desde 2017.
O banco suíço UBS afirmou que espera que os preços do Brent permaneçam elevados, próximos a US$ 110 por barril, até o final do ano, citando a volatilidade do abastecimento no Oriente Médio e a incerteza geopolítica. Anteriormente, a instituição previa US$ 100 por barril no final deste ano.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz aumentou, mas o número de ataques a navios também cresceu, com os riscos provavelmente se tornando mais graves caso o apoio naval dos EUA vacile, afirmou o UBS.
Os preços do Brent subiram para mais de US$ 117 por barril na semana passada, o maior nível desde abril, após uma onda de ataques iranianos a petroleiros na região do Estreito de Ormuz. O Brent atingiu US$ 117 na segunda-feira.
Reuters| Georgina McCartney
Com reportagem de Erwin Seba, Robert Harvey e Anjana Anil


