Levantamento da ValeCard mostra que biocombustível ganhou vantagem econômica em outubro, apesar de alta de 0,52% no preço médio nacional; São Paulo registrou maior aumento do país
O etanol ampliou sua competitividade em relação à gasolina em outubro, tornando-se economicamente mais vantajoso em 21 das 27 unidades federativas, ante 17 em setembro, segundo levantamento da ValeCard. O avanço ocorreu em meio a movimentos distintos dos preços entre as regiões brasileiras. Enquanto todos os estados do Nordeste registraram queda, com reduções superiores a R$ 0,30 por litro no Rio Grande do Norte e em Sergipe, os três estados do Sul apresentaram alta. São Paulo liderou os aumentos nacionais, embora tenha mantido o menor preço médio do biocombustível no país.
Apesar das quedas registradas em grande parte dos estados, o preço médio nacional do etanol passou de R$ 4,338 por litro em setembro para R$ 4,361 em outubro, aumento de 0,52%.
No Nordeste, os nove estados apresentaram recuo nos preços, e a região concentrou as três maiores reduções do país. O Rio Grande do Norte liderou as quedas, com o litro passando de R$ 5,084 para R$ 4,767, retração de 6,23%, equivalente a aproximadamente R$ 0,32.
Sergipe registrou a segunda maior redução, de 5,82%, com o preço recuando de R$ 5,275 para R$ 4,968 por litro. Na sequência apareceu o Maranhão, onde o etanol caiu 4,57%, de R$ 4,961 para R$ 4,734. O estado já havia registrado queda de 6,01% em setembro.
Nos demais estados nordestinos, as reduções variaram de 0,10%, na Bahia, a 3,57%, no Piauí. Também houve recuos no Ceará (-1,72%), Pernambuco (-1,59%), Paraíba (-1,44%) e Alagoas (-0,88%).
Etanol ganha competitividade em relação à gasolina
A redução dos preços contribuiu para ampliar a vantagem econômica do etanol no abastecimento de veículos flex. Segundo a ValeCard, o número de unidades federativas em que o biocombustível se mostrou mais competitivo passou de 17 para 21 entre setembro e outubro.
O Nordeste apresentou a principal mudança, com o número de estados favoráveis ao etanol avançando de três para oito. Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe passaram a integrar o grupo em que abastecer com o biocombustível compensa mais. Tocantins, na região Norte, também passou a apresentar vantagem para o etanol.
A comparação considera a referência de 70% do preço da gasolina. Quando o valor do etanol corresponde a até 70% do combustível fóssil, o biocombustível tende a oferecer melhor custo-benefício, embora a vantagem efetiva dependa da eficiência de cada veículo.
Roraima manteve a condição mais favorável ao etanol no país, com preço equivalente a 52,11% do valor da gasolina. Em São Paulo, essa relação ficou próxima de 62%, com preço médio de R$ 4,053 para o etanol, ante R$ 6,573 para a gasolina comum.
São Paulo lidera altas, enquanto Norte registra recuos
No Sudeste, São Paulo apresentou a maior alta nacional do etanol em outubro, de 2,24%, com o litro passando de R$ 3,964 para R$ 4,053. O estado já havia registrado aumento de 2,56% em setembro.
Mesmo com a valorização, São Paulo permaneceu com o menor preço médio do biocombustível entre todas as unidades federativas.
Minas Gerais também registrou aumento pelo segundo mês consecutivo, de 1,40%, com o preço chegando a R$ 4,468. No Rio de Janeiro, a alta foi de 0,98%, para R$ 4,855. O Espírito Santo foi a única exceção do Sudeste, com redução de 2,38%, para R$ 4,831 por litro.
Na região Norte, seis dos sete estados apresentaram queda. O Pará registrou o maior recuo regional, de 2,96%, com o etanol passando de R$ 4,898 para R$ 4,753. No Amapá, a redução foi de 2,92%, enquanto o Amazonas apresentou queda de 2,05%, revertendo a alta observada em setembro.
Rondônia, Roraima e Tocantins também tiveram reduções, de 1,17%, 0,58% e 1,36%, respectivamente. O Acre foi a única unidade da região a registrar aumento, de 0,90%, com o litro chegando a R$ 5,091.
Sul registra alta em todos os estados
Na região Sul, os três estados registraram aumento no preço do etanol em outubro. O Paraná apresentou a maior valorização regional, de 1,77%, com o litro passando de R$ 4,240 para R$ 4,315.
Santa Catarina registrou alta de 1,51%, para R$ 4,600, revertendo a queda observada no mês anterior. No Rio Grande do Sul, o preço subiu 1,12%, alcançando R$ 4,549 por litro, no segundo mês consecutivo de aumento.
No Centro-Oeste, Mato Grosso apresentou a segunda maior alta nacional, de 2,08%, com o preço passando de R$ 4,123 para R$ 4,209. Mato Grosso do Sul também manteve a trajetória de elevação, com avanço de 1,87%, para R$ 4,313.
Em sentido contrário, Goiás registrou queda de 2,73%, com o litro recuando para R$ 4,213, enquanto o Distrito Federal apresentou redução de 0,80%, para R$ 4,502. Ambos haviam registrado aumento em setembro.
Os resultados de outubro mostram que, embora o preço médio nacional do etanol tenha apresentado leve elevação, as reduções registradas em diferentes estados, especialmente no Nordeste, ampliaram a competitividade do biocombustível frente à gasolina.
Natália Cherubin para RPAnews



