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O custo dela é grande e impacta na automotivação e engajamento das pessoas, na produtividade, qualidade, eficiência e desempenho final

203825.png*Beatriz Resende

Início de ciclo, retomada de compromissos e objetivos, fase de reavaliação e de recomeço diferente. A vida nos convida a mudar, o tempo todo, para que tenhamos oportunidades, espaços, para que sejamos vistos, valorizados, e para que o universo e as pessoas não percam a fé em nós. Nesse cenário, há um assunto que precisa ser sempre relembrado, como meta urgente de revisão ou melhoria. Não é a primeira vez que falo sobre ele e vocês talvez tenham a sensação de déjà-vu da minha parte. Ele é intencional, necessário, pois os ambientes de trabalho andam desanimadores e desestimulantes.

Falar sobre relação de trabalho é transcender aos direitos e deveres protocolares rezados nas cartilhas legais e funcionais das organizações. Precisamos falar mais sobre elas, em outra ótica: a da relação propriamente dita. Essa tem muito a ser evoluída.

Quando falamos de comportamentos pouco civilizados no trabalho, nos remetemos a uma sensação de descontrole, deseducação, falta de modelos e exemplos ou maus exemplos, estímulo a maus hábitos (bloco da cultura perniciosa e permissiva), pouca valorização aos aspectos de relacionamento e comunicação, competência baixa no gerenciamento de pessoas e de bons comportamentos, pouca cobrança sobre boas posturas e atitudes (bloco da baixa competência de liderança) e poucas ações (quase nulas) para mudanças desses cenários (bloco da falta de atuação mais estratégica e competente por parte da área de RH).

Separando todos os problemas que temos falado e discutido quanto à falta de bons líderes, comunicação ruim, pouco investimento em educação corporativa e profissional, pessoas imaturas e com baixa inteligência emocional etc, tudo que precisa ser ativado também com muita urgência, tenho a grande preocupação sobre os ambientes organizacionais atuais, que estão se deteriorando a cada dia nos quesitos respeito, compreensão, colaboração, doação, esforço, disponibilidade, contribuição e propósito. Está difícil sobreviver nos ambientes de trabalho. Não há apoio, não há em quem se apoiar. Isso é muito grave!

E não estou aqui só falando das relações entre chefia e subordinados não. Falo em geral. Pessoas têm sido maltratadas, desrespeitadas, desprestigiadas e desmotivadas no dia a dia por outras pessoas em cargos diversos que despejam suas frustrações, desencantos, descrenças, maus comportamentos, sua má educação e sua perversidade sobre outrem.

E eu pergunto: por que as empresas e seus dirigentes e gestores permitem isso? Ou antes disso: por que o fazem e/ou fecham os olhos para essa situação que hoje toma conta de muitas culturas empresarias, independente do porte, segmento e evolução do negócio?

Tudo isso é muito feio: não há palavra e expressão melhores para dizer o que precisa ser dito. Está feio para as empresas e suas imagens, para os gestores, que respondem pelas suas posições, a de outros líderes e pelas pessoas/equipes, e para os RH´s, que cuidam da cultura, dos ambientes, das relações, da comunicação, das normas, do código de conduta e ética, e tudo mais que diz respeito às boas práticas e relações dentro de uma empresa. Isso já seria suficiente para chamar a atenção de todos sobre esse problema.

Cada vez mais pessoas têm procurado médicos em nome de patologias que geram ansiedades, inseguranças, medos e impactos na autoestima, e outros sentimentos e posturas. Esse quadro tem uma origem: essas relações ruins, desconstrutivas, destrutivas e pouco colaborativas. Fala-se muito na pressão por resultados e cumprimento de metas, mas na verdade a base dessa desestrutura está na qualidade ruim desse relacionamento, pois o profissional bem tratado, respeitado, valorizado, estimulado e energizado, é capaz de surpreender a empresa quanto aos resultados. As pessoas não ficam minadas pelo volume de trabalho e desafios. O que mina a saúde e o propósito das pessoas são essa falta de equilíbrio no trato interpessoal, é o desrespeito diário a qual elas são submetidas. Aí, é claro, querer tirar o melhor das pessoas num cenário desses, mapear perfis de alta contribuição e performance para investir pesadamente nestas poucas promessas e, no final de tudo, reclamar que a investida foi equivocada, bem, não há fórmulas de sucesso que consigam tal façanha.

Cabe aos empresários, dirigentes e demais gestores das empresas adotar ações e sistemas de monitoramento para desencorajar e minimizar a incivilidade, grosseria, maus tratos, maus contratos internos, alianças negativas e com foco distorcido, e ainda, e muito preocupante, a força de formadores de opinião de viés negativo.

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* Beatriz Resende é consultora empresaria
l, palestrante e conselheira de Carreiras da
Dra. Empresa e Coerhência, ambas consultorias
empresariais.

De um artigo escrito por Porath & Pearson Christine, fruto de pesquisa realizada com 800 gerentes e trabalhadores em 17 setores, levantou-se a reação das pessoas na prática, alvos da incivilidade nas empresas:

– 48% intencionalmente passaram a se esforçar menos;

– 47% intencionalmente diminuíram o tempo que passavam no trabalho;

– 38% intencionalmente derrubaram a qualidade do que faziam;

– 80% perderam tempo de trabalho remoendo o incidente;

– 63% perderam tempo de trabalho tentando evitar a pessoa que fora rude;

– 66% disseram que seu desempenho piorou;

– 78% disseram que seu compromisso com a organização diminuiu;

– 12% disseram que deixaram o emprego devido a um tratamento incivil;

– 25% admitiram descontar a revolta em clientes.

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