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USINAS FECHAM SAFRA COM DÍVIDA DE R$ 100 BIlhões

As usinas sucroenergéticas devem encerrar a atual safra 2016/17 devendo cerca de R$ 100 bilhões, de acordo com estimativas preliminares feitas por Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Embora o valor seja considerado alto, o endividamento total do setor já foi bem maior. Nas últimas duas safras, por exemplo, as indústrias sucroalcooleiras iniciaram seus ciclos devendo cerca de 110% da receita total do setor. “A redução do endividamento do setor reflete a melhora dos preços do açúcar”, afirmou.

No ano passado, importantes grupos do setor fizeram reestruturações de suas dívidas. Foi o caso da Odebrecht Agroindustrial, que no segundo semestre de 2016 renegociou cerca de R$ 7 bilhões de dívidas com os principais bancos credores. A empresa se comprometeu a fazer uma capitalização de R$ 6 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões serão com aporte de ativo e R$ 4 bilhões em injeção financeira. A indiana Renuka, que tem quatro usinas no país e está em recuperação judicial desde outubro de 2015, está tentando leiloar uma de suas usinas de São Paulo, para tentar abater sua dívida, estimada em R$ 2 bilhões.

CADE APROVA COMPRA DE FATIA DA GUARANI, DA PETROBRAS, PELA TEREOS

A superintendência-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, a compra, por parte do Grupo Tereos, da totalidade das ações de emissão da empresa Guarani, detidas pela Petrobras Biocombustível (PBio). As ações correspondem a 45,9% do capital votante e total da Guarani.

Despacho aprovando a operação foi publicado no Diário Oficial da União. Com a conclusão da operação, o Grupo Tereos passará a ser o único detentor da Guarani. O Grupo Tereos atua no setor e agribusiness com seu principal ramo de atividade ligado à transformação de cana-de-açúcar e beterraba em açúcar, etanol e energia. O grupo opera 45 unidades industriais ao redor do mundo. No Brasil o Grupo Tereos detém as empresas Tereos Amido e Adoçantes Brasil, além da Guarani.

GOVERNO DA ÍNDIA NEGA INTENÇÃO DE REDUZIR TAXA DE IMPORTAÇÃO DE AÇÚCAR

Integrantes do governo indiano voltaram a reforçar que o país não pretende reduzir os impostos de importação de açúcar como forma de estimular as compras e, com isso, aumentar a disponibilidade interna da commodity. A fala segue na contramão das especulações do mercado. A Isma, sigla em inglês para Associação das Usinas de Açúcar da Índia, disse que a queda na produção interna pode forçar o país a desonerar as compras externas do alimento.

“Nós não temos planos de reduzir as taxas de importação neste momento, já que vamos ter estoques suficientes para abastecer o mercado interno”, disse um integrante do governo, que preferiu não ser identificado. A taxa atual de importação de açúcar é de 40%. Em 2015, o tributo era de 25%, mas foi elevado em uma tentativa de proteger o mercado local.

AGRONEGÓCIO EMPREGA 19 MILHÕES DE PESSOAS NO BRASIL

Um levantamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostrou que o agronegócio brasileiro emprega 19 milhões de trabalhadores. O destaque fica para o segmento primário – dentro da porteira – que conta com 9,09 milhões de trabalhadores ou quase metade do total. A agroindústria e serviços empregam, respectivamente, 4,12 milhões e 5,67 milhões de pessoas, enquanto no segmento de insumos do agronegócio estão outras 227,9 mil pessoas. Esses números referem-se ao ano de 2015 (dados mais recentes) e não incluem os trabalhadores que produzem exclusivamente para próprio consumo.

O estudo do Cepea aponta ainda que no agronegócio quase 60% do total de vagas é ocupada por trabalhadores que não chegaram a iniciar o ensino médio. Ao mesmo tempo, o percentual de pessoas com ensino superior completo no agronegócio se limita a 8,5%. No mercado brasileiro geral, este percentual é de quase 17%.

ESTRANGEIROS ESTÃO DE OLHO NAS TERRAS AGRÍCOLAS DO BRASIL

O mercado de terras só deve voltar a ter liquidez no Brasil em curto prazo, quando a compra de terras agrícolas por estrangeiros for aprovada pelo Congresso Nacional. A avaliação é de José Vicente Ferraz, diretor técnico da Informa Economics FNP, que vem sendo consultada por investidores de fora do Brasil, ávidos pela compra de terras agricultáveis no país.

Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) vetou a venda de terras para estrangeiros em 2010, mas, com a mudança do governo, o assunto voltou a ganhar força em Brasília. Segundo Ferraz, esses investidores estão dispostos a negociar com dinheiro vivo. “São abutres esperando a oportunidade, que pode vir com a flexibilização da lei de compra de terras. Se isso ocorresse, automaticamente eliminaria o deságio que está tendo nos preços, provocaria uma nova valorização das áreas e reativaria o mercado”, explica.

A Informa, que monitora a compra e venda de terras no Brasil, observa uma estagnação do mercado nos últimos anos. O único segmento que tem registrado alguns negócios é o chamado “mercado de vizinhança”, quando um vizinho negocia com o outro. Isso ocorre principalmente em regiões onde a estrutura fundiária está bem definida, como é o caso do Sul e Sudeste.

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