StoneX projeta déficit global na safra 2026/27, enquanto menor produção no Brasil e avanço do mix alcooleiro seguem sustentando os preços
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta terça-feira impulsionados pelas perspectivas de oferta global mais apertada ao longo da safra 2026/27. O movimento ocorreu em meio a novas projeções indicando déficit no balanço mundial da commodity, além das preocupações com menor produção no Brasil e riscos climáticos em importantes países produtores da Ásia.
O contrato do açúcar bruto com vencimento em julho negociado em Nova York avançou 0,10 centavo de dólar, ou 0,67%, encerrando o dia cotado a 15,01 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato do açúcar branco para agosto subiu 1,02%, fechando a US$ 441,70 por tonelada.
Segundo a StoneX, o mercado global de açúcar deve registrar déficit de 550 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo o superávit de 2,3 milhões de toneladas estimado para o ciclo 2025/26. A perspectiva de menor disponibilidade global segue oferecendo suporte às cotações internacionais.
O mercado também continua repercutindo projeções mais baixas para a produção brasileira de açúcar. Na segunda-feira, o Citigroup estimou a safra brasileira 2026/27 em 39,5 milhões de toneladas, volume significativamente abaixo da estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta produção de 43,95 milhões de toneladas.
Segundo o banco, o cenário reflete o maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol diante da alta nos preços da gasolina. O Citigroup também destacou que um possível evento forte de El Niño ao longo deste ano pode provocar impactos relevantes sobre a produção de açúcar na Índia e na Tailândia nos próximos seis a 12 meses.
Mix mais alcooleiro segue no radar
Os dados recentes da safra brasileira continuam reforçando a percepção de menor disponibilidade de açúcar no curto prazo. Segundo relatório divulgado pela Unica em 30 de abril, a produção de açúcar do Centro-Sul na primeira quinzena de abril da safra 2026/27 caiu 11,9% na comparação anual, totalizando 647 mil toneladas.
No período, as usinas reduziram o mix açucareiro, destinando 32,9% da cana para produção de açúcar, ante 44,7% registrados no mesmo intervalo da safra anterior.
A Conab também projeta menor produção brasileira de açúcar na safra 2026/27. Em seu primeiro levantamento para o novo ciclo, divulgado em abril, a estatal estimou queda de 0,5% na produção nacional, para 43,952 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,259 bilhões de litros.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também reduziu recentemente sua estimativa para a produção brasileira de açúcar, projetando volume de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% frente à safra anterior. Segundo o órgão, o movimento reflete o maior direcionamento da cana para etanol.
Além do cenário produtivo, o mercado segue monitorando possíveis impactos logísticos relacionados ao fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo a Covrig Analytics, a interrupção da rota marítima afetou cerca de 6% do comércio global de açúcar, restringindo a oferta de açúcar refinado no mercado internacional.


