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O mercado futuro do açúcar bruto na ICE, de Nova York, fechou a última sexta-feira (19) em baixa nas cinco primeiras telas, chegando na menor cotação desde o final do mês de janeiro. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o mercado está avesso ao risco e com cautela sobre o futuro devido à pandemia de Covid-19, que pode derrubar, ainda mais, o consumo das principais commodities globais.

O vencimento maio/21 da ICE foi comercializado na sexta-feira em 15,76 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 13 pontos no comparativo com a véspera. Já a tela para julho/21 recuou 11 pontos, com negócios em 15,45 cts/lb. As telas para outubro/21, março e maio/22 caíram, respectivamente, 10, 10 e 3 pontos. Já os vencimentos a partir de julho/22 subiram entre 4 e 10 pontos.

Operadores ouvidos pela Reuters disseram que o aumento no número de casos de coronavírus na Europa fez com que os fundos parassem para pensar, podendo reavaliar sua exposição às commodities no curto prazo. “O Rabobank projetou um déficit de 2,8 milhões de toneladas para o atual ano-safra (outubro a setembro) e um modesto superávit para 2021/22”.

Outro ponto destacado pelos analistas ouvidos pela Reuters reflete um “movimento potencialmente baixista para o açúcar – caso ganhe popularidade -, o chocolate adoçado com a polpa do cacau, sem adição de açúcar, está prestes a chegar aos supermercados, com a Nestlé se preparando para lançar a barra “Incoa”.

Açúcar branco

Em Londres a sexta-feira foi marcada por baixa em todos os vencimentos da ICE Europe. O lote para maio/21 foi vendido em US$ 453,40 a tonelada, recuo de 2,60 dólares no comparativo com a quinta. Já a tela para agosto/21 desvalorizou 2 dólares, com negócios em US$ 440,20 a tonelada. Os demais vencimentos recuaram entre 1,30 e 2 dólares. As telas para agosto e outubro/22 fecharam estáveis.

Análise

Em sala análise semanal, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou, que “o mercado de energia derreteu na semana, não apenas por ter anteriormente se elevado artificialmente nutrido pelos fundos especulativos, mas pelo contraponto à realidade do consumo de combustíveis no mundo em função do lockdown que avança em países da Europa na terceira onda do covid-19.

Na semana, a gasolina despencou 9.4% fazendo com que a Petrobras também reduzisse o preço do combustível na refinaria, nesta sexta-feira. O petróleo WTI e Brent também encolheram 7% na média. Não foi uma semana especialmente favorável para as soft commodities: café, açúcar, algodão e cacau, todas fecharam a semana no vermelho. Os grãos também cairiam em menor intensidade. O tal novo ciclo de commodities vai demorar um pouco mais para ressurgir”.

“Só para ressaltar que temos falado sobre isso aqui à exaustão. Debatendo como os preços podiam negociar acima de 17-18 centavos de dólar por libra-peso, como de fato negociaram, tendo em vista a situação de calamidade de vive a economia mundial. E a brasileira também. Aqui, por exemplo, só no mundo paralelo onde habita Paulo Guedes é que vemos “sinais de recuperação por toda a parte”, como declarou o ministro na semana passada. No mundo real, estamos como aquele menino do filme Sexto Sentido “eu vejo pessoas mortas”. E o Brasil caminha para 300.000 mortes pela pandemia. Recuperação aonde?”, destacou Corrêa.

Açúcar cristal

No mercado interno, medido pelo Cepea/Esalq, da USP, o açúcar cristal também fechou em baixa nesta sexta-feira, cotado em R$ 106,01 a saca de 50 quilos, contra R$ 107,71 da véspera, desvalorização de 1,58% no comparativo entre as datas. No mês o indicador já acumula baixa de 2,97%.

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