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Açúcar fecha em alta com expectativa de rebalanceamento de índices, apesar de superávit global e maior oferta no Brasil e na Índia

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Os preços do açúcar encerraram o pregão em alta, sustentados pela expectativa de compras relacionadas ao rebalanceamento anual dos principais índices de commodities. O movimento deve ocorrer ao longo desta semana, impulsionando os contratos futuros da commodity.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em março subiu 0,05 centavo de dólar, ou 0,3%, para 14,89 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato do açúcar branco para o mesmo mês avançou US$ 3,90, ou 0,9%, indo a US$ 427,30 por tonelada.

De acordo com projeções do Citigroup, os dois maiores índices globais de commodities — o Bloomberg Commodity Index (BCOM) e o S&P GSCI — deverão registrar entradas combinadas de aproximadamente US$ 1,2 bilhão em contratos futuros de açúcar como parte do processo de rebalanceamento anual.

Apesar do suporte técnico, fatores fundamentais seguem pressionando o mercado. No Brasil, o aumento da produção de açúcar exerce efeito baixista sobre os preços. A Unica informou que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul na safra 2025/26, até meados de dezembro, alcançou 40,158 milhões de toneladas métricas, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, a proporção de cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar aumentou para 50,91% na safra 2025/26, ante 48,19% na safra 2024/25, reforçando a maior oferta do produto no mercado.

O cenário de superávit global de açúcar também continua sendo um fator negativo para os preços. Na segunda-feira, a consultoria Covrig Analytics elevou sua estimativa de superávit global de açúcar para a safra 2025/26 para 4,7 milhões de toneladas métricas, acima dos 4,1 milhões estimados em outubro. No entanto, a consultoria projeta que o superávit global deve cair para 1,4 milhão de toneladas na safra 2026/27, à medida que preços mais baixos desestimulam a produção.

Por outro lado, a perspectiva de redução na oferta futura de açúcar no Brasil traz suporte aos preços. A consultoria Safras & Mercado informou, em 23 de dezembro, que a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 deve recuar 3,91%, passando para 41,8 milhões de toneladas, frente às 43,5 milhões de toneladas esperadas para 2025/26. A empresa também projeta queda de 11% nas exportações brasileiras de açúcar em 2026/27, para cerca de 30 milhões de toneladas.

Enquanto isso, sinais de aumento da produção na Índia pressionam o mercado. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou em 1º de janeiro que a produção indiana de açúcar na safra 2025/26, no período de 1º de outubro a 31 de dezembro, saltou 25% na comparação anual, atingindo 11,90 milhões de toneladas, ante 9,54 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.

Em novembro, a ISMA revisou para cima sua estimativa de produção de açúcar da Índia para a safra 2025/26, elevando-a para 31 milhões de toneladas, ante uma previsão anterior de 30 milhões, o que representa um crescimento de 18,8% em relação ao ano anterior. A entidade também reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da projeção de 5 milhões feita em julho, o que pode abrir espaço para um aumento das exportações indianas.

A Índia é atualmente o segundo maior produtor de açúcar do mundo, e sua maior oferta no mercado global segue como um fator de pressão sobre os preços internacionais da commodity.

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