Força do real e perspectiva de menor produção no Brasil sustentam recuperação das cotações, apesar de tendência ainda pressionada no curto prazo
Os preços do açúcar registraram reação recente após quedas acumuladas nas semanas anteriores, impulsionados principalmente pela valorização do real frente ao dólar e por revisões nas estimativas de oferta global. De acordo com dados do mercado futuro em Nova York, o contrato julho/26 do açúcar bruto voltou a subir, refletindo um movimento de cobertura de posições vendidas e ajustes técnicos.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio fechou em alta de 0,33 centavo de dólar, ou 2,4%, a 13,93 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido a menor cotação em cinco anos na sexta-feira anterior. O contrato ganhou 4,6% na semana. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco subiu 1,8%, para US$ 435,30 por tonelada.
Além do câmbio, o cenário de oferta também passou por revisões relevantes. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção brasileira de açúcar para a safra 2026/27 é estimada em 42,5 milhões de toneladas, uma queda de 3% em relação ao ciclo anterior. A redução está associada ao maior direcionamento da cana para a produção de etanol.
No mercado global, projeções mais recentes indicam um superávit menor do que o esperado anteriormente. A Covrig Analytics revisou sua estimativa de excedente para 800 mil toneladas, ante 1,4 milhão de toneladas, enquanto a trading Czarnikow também reduziu sua projeção para 1,1 milhão de toneladas.
Apesar do suporte recente, o comportamento dos preços ainda reflete um cenário mais amplo de volatilidade. Dados do próprio mercado indicam que o contrato julho/26 acumula queda relevante no comparativo recente, com recuo próximo de dois dígitos no período de um mês, após ter testado níveis mais elevados no fim de março.
Pressões estruturais ainda limitam altas
No curto prazo, o mercado segue sensível a fatores macro e fundamentais. Entre eles, destacam-se o comportamento do petróleo — que influencia a competitividade do etanol —, além das expectativas de oferta em países como Índia e Tailândia, que seguem como importantes determinantes para o equilíbrio global.
Ainda assim, o direcionamento da cana para o etanol no Brasil e a redução das estimativas de excedente global tendem a atuar como fatores de sustentação para os preços, especialmente em um cenário de maior incerteza sobre a oferta disponível no mercado internacional.
Os dados reforçam que, embora o mercado ainda carregue sinais de pressão no curto prazo, os fundamentos começam a apontar para um equilíbrio mais ajustado, com impactos diretos para o mix das usinas e para a dinâmica de preços ao longo da safra 2026/27.
Com informações da Barchart

