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Açúcar recua com fraqueza do real e perspectiva de ampla oferta global

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Desvalorização da moeda brasileira favorece exportações, enquanto produção elevada no Centro-Sul e avanço das exportações da Tailândia pressionam as cotações

Os contratos futuros de açúcar encerraram a segunda-feira em queda, pressionados principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar. Segundo análise da Barchart, a moeda brasileira atingiu o menor nível em cerca de dois meses, fator que favorece as exportações do produto pelo Brasil e aumenta a oferta disponível no mercado internacional.

O contrato do açúcar bruto com vencimento em julho, negociado na bolsa de Nova York (ICE Futures US), fechou cotado a 14,12 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 0,14% no dia. Já o açúcar branco, negociado em Londres, encerrou a sessão a US$ 445,10 por tonelada, queda de 0,40%.

De acordo com a publicação, o mercado continua avaliando um cenário de oferta global confortável. Um dos fatores destacados foi o desempenho da produção brasileira. Dados divulgados pela Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril, avanço de 55,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O teor de sacarose por tonelada de cana também apresentou melhora, atingindo 112,58 quilos, alta de 5,4% na comparação anual.

Outro elemento baixista para os preços é o crescimento das exportações da Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar. Entre janeiro e abril, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar da pressão exercida pela oferta, o mercado segue atento aos riscos climáticos. A possibilidade de formação de um evento El Niño preocupa produtores e analistas, uma vez que o fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. A agência climática norte-americana NOAA estima 82% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre maio e julho, com possibilidade de persistência até o final do ano.

As perspectivas para a safra brasileira também seguem no radar dos investidores. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 43,95 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, ligeiramente abaixo do ciclo anterior. Já o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma produção de 42,5 milhões de toneladas, citando uma possível destinação maior da cana para a fabricação de etanol.

Além disso, persistem preocupações relacionadas ao comércio internacional diante das tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz. Segundo a Covrig Analytics, as restrições na região já afetam cerca de 6% do comércio global de açúcar, limitando especialmente a produção de açúcar refinado.

No mercado indiano, a produção acumulada de açúcar entre outubro e meados de abril alcançou 27,48 milhões de toneladas, alta de 7,7% sobre o mesmo período da safra anterior. O USDA projeta que a Índia volte a registrar superávit de açúcar na temporada 2026/27, o primeiro em dois anos, reforçando a percepção de maior disponibilidade global da commodity.

Com informações da Barchart

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