Preocupações com a safra indiana e maior destinação da cana para o etanol no Brasil sustentam os preços do açúcar, apesar das perspectivas de oferta global mais confortável
Os contratos futuros do açúcar consolidaram-se acima das mínimas de dois meses registradas no início da semana, com o mercado encontrando suporte em preocupações climáticas na Índia e na maior destinação da cana para a produção de etanol no Brasil.
Entre os fatores de sustentação, seguem as preocupações com o desempenho das monções na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico do país informou que o volume acumulado de chuvas estava 42% abaixo da média até 24 de junho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra alertou que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos, aumentando o risco de redução na produtividade dos canaviais. A temporada de chuvas no país ocorre entre junho e setembro.
Brasil e El Niño mantêm mercado atento
Outro fator de suporte veio do Brasil. Dados da UNICA mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,838 milhões de toneladas até maio, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. No mesmo intervalo, a participação da cana destinada à produção de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% no ciclo anterior, enquanto a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,38%.
Esse cenário levou a consultoria Czarnikow a revisar sua projeção para o balanço global de açúcar da safra 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, refletindo a expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras em meio à valorização recente do petróleo.
O mercado também acompanha a evolução do fenômeno El Niño. Na semana passada, a Agência Meteorológica do Japão confirmou a formação do fenômeno no Pacífico Equatorial, aumentando as preocupações com possíveis impactos sobre o regime de chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, principais regiões produtoras de açúcar. A agência meteorológica da Índia reduziu sua estimativa para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, enquanto a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 67% de probabilidade de ocorrência de um Super El Niño neste ano.
Apesar desses fatores de sustentação, o mercado continua monitorando as perspectivas para a oferta global. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit global de 262 mil toneladas na safra 2026/27, enquanto a StoneX estima déficit de 550 mil toneladas e a Covrig Analytics reduziu sua previsão de superávit para 100 mil toneladas.



