Recuperação dos preços do açúcar em Nova Iorque ocorre após avanço do real ao maior nível em 20 meses, enquanto dados de produção e exportação reforçam cenário de oferta elevada no mercado global
Já em Londres, os preços do açúcar branco fecharam em queda, alcançando o menor nível em aproximadamente dois meses e meio, refletindo o ambiente de pressão causado pela perspectiva de maior oferta global.
Segundo operadores, a apreciação do real frente ao dólar (^USDBRL) reduziu a atratividade das exportações brasileiras, o que levou à cobertura de posições vendidas no mercado de Nova York e sustentou uma alta modesta dos contratos ao longo do pregão.
Do lado fundamental, o mercado segue pressionado pelo avanço da produção. Na semana passada, a Unica informou que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, até dezembro, somou 40,222 milhões de toneladas, alta de 0,9% na comparação anual.
O relatório da entidade também apontou aumento no direcionamento da cana para a fabricação de açúcar. A participação da matéria-prima destinada ao adoçante atingiu 50,82% na safra 2025/26, acima dos 48,16% registrados no ciclo anterior, reforçando a percepção de maior disponibilidade do produto no mercado internacional.
Índia amplia produção e pode exportar mais
Na Ásia, a India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção de açúcar da Índia entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 alcançou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Em novembro, a associação revisou para cima sua estimativa de produção total da Índia na safra 2025/26, elevando o volume projetado para 31 milhões de toneladas, ante a previsão anterior de 30 milhões. O número representa um avanço de 18,8% na comparação anual.
Ao mesmo tempo, a ISMA reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país para 3,4 milhões de toneladas, abaixo dos 5 milhões projetados em julho. A menor destinação ao biocombustível abre espaço para um aumento das exportações indianas, em um momento de excedente doméstico.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tem pesado sobre as cotações internacionais diante da possibilidade de maior presença no mercado externo. Autoridades do país indicaram que o governo pode autorizar exportações adicionais para aliviar o excesso de oferta interna. Em novembro, o Ministério da Alimentação indiano anunciou a liberação de 1,5 milhão de toneladas para exportação na safra 2025/26.
Desde a safra 2022/23, a Índia opera com um sistema de cotas para exportações de açúcar, adotado após atrasos nas chuvas reduzirem a produção e limitarem os estoques domésticos. Com a recuperação da oferta, o mercado passou a incorporar novamente o risco de maior volume indiano disponível no comércio global.
Combinados, os dados de produção do Brasil e da Índia seguem atuando como fator de pressão sobre os preços, mesmo diante de movimentos pontuais de suporte vindos do câmbio e de ajustes técnicos nos mercados futuros.