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Açúcar tem pregão misto com suporte do real forte e pressões de oferta global

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Os preços internacionais do açúcar encerraram a terça-feira (11) em movimento misto. Em Nova York, as cotações encontraram suporte na valorização do real frente ao dólar, que atingiu o maior patamar em 17 meses. O fortalecimento da moeda brasileira tende a desestimular as vendas externas por parte dos produtores do Brasil — maior exportador mundial — e acabou estimulando um movimento de cobertura de posições vendidas nos contratos futuros.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2026 subiu 0,05 centavo de dólar, ou 0,4%, a 14,25 centavos de dólar por libra-peso, afastando-se da mínima de cinco anos da semana passada, de 14,04 centavos de dólar por libra-peso. O contrato mais ativo do açúcar branco fechou quase estável, a US$ 407,90 por tonelada, após atingir seu menor valor desde dezembro de 2020 na segunda-feira, de US$ 406,40 por tonelada.

Nas últimas semanas, entretanto, o cenário global de ampla oferta tem pressionado fortemente as cotações. Na segunda-feira, o açúcar branco negociado em Londres atingiu o menor nível em 4 anos e 9 meses, enquanto na quinta passada o contrato do açúcar bruto em Nova York recuou ao piso de cinco anos, refletindo o aumento da produção no Brasil e as projeções de superávit mundial.

A consultoria Czarnikow elevou na semana passada sua estimativa de excedente global para a safra 2025/26 para 8,7 milhões de toneladas, 1,2 milhão a mais que o cálculo anterior, feito em setembro.

No Brasil, o viés segue de alta produção. A Conab revisou para cima sua projeção de safra 2025/26, passando de 44,5 milhões para 45 milhões de toneladas de açúcar. Dados mais recentes da Unica mostram que, na primeira quinzena de outubro, a produção de açúcar no Centro-Sul subiu 1,3% em relação ao ano anterior, para 2,484 milhões de toneladas, com 48,24% da cana destinada à fabricação do adoçante — acima dos 47,33% do mesmo período de 2024. No acumulado até meados de outubro, a região totalizou 36,016 milhões de toneladas, alta anual de 0,9%.

A consultoria Datagro também projeta novo avanço em 2026/27, com estimativa de crescimento de 3,9% na produção do Centro-Sul, alcançando 44 milhões de toneladas, um recorde histórico.

Na Índia, segundo maior produtor mundial, o cenário também é de aumento de oferta. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) elevou nesta terça-feira sua previsão para a safra 2025/26 de 30 para 31 milhões de toneladas, um salto de 18,8% na comparação anual. Ao mesmo tempo, a entidade reduziu a estimativa de uso de açúcar para a produção de etanol, de 5 milhões para 3,4 milhões de toneladas, o que pode abrir espaço para aumento das exportações indianas.

Com Brasil e Índia ampliando suas safras e um superávit global crescente, o mercado de açúcar segue pressionado, ainda que movimentos cambiais pontuais, como o fortalecimento do real, ofereçam alívio temporário aos preços.

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