Agronegócio precisa se atentar contra possíveis perdas em 2021; entenda

O agronegócio brasileiro ganhará peso na economia brasileira em 2020, menos afetado pela pandemia do novo coronavírus do que outros setores. No entanto, é preciso que os empresários do setor tomem precauções para evitar perdas em 2021, defendeu Maurício Moraes, sócio e líder de agribusiness da PwC Brasil, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Diante do elevado nível de incertezas que dificulta projeções, as empresas do agronegócio deveriam investir em instrumentos de hedge, medidas de proteção contra oscilações na taxa de câmbio, alerta Moraes.

“O agro tem um certo hedge natural, porque você tem as importações de alguns produtos como fertilizantes que podem ser afetados pelo dólar, mas também tem muita exportação em dólar. Então, tudo que indica que o aumento do dólar favoreça. Mas é importante que as empresas trabalhem na política de risco cambial. Porque as datas entre quando compra e quando vende são distintas, às vezes o dólar pode estar muito apreciado agora, e quando vende, futuramente estar menos apreciado. Ou o próprio preço de vendas dos produtos, das commodities, podem estar menos apreciados”, justificou Moraes.

O especialista lembra que a retração da economia mundial prevista para 2020 pode afetar os preços das commodities no ano que vem, enquanto a queda na renda tem potencial para prejudicar bens de maior valor, que podem ser substituídos por outros mais baratos na cesta de consumo.

“Não existe dúvida de que a economia mundial em 2020 vai retrair. E quando ela retrai em 2020, os efeitos passam para 2021. Não quer dizer que em 2021 vá ter uma nova retração. Acho que não, porque a recessão desse ano vai ser muito relevante, mas leva um reflexo para 2021 com certeza, sobre preços de commodities e renda”, frisou o líder de agribusiness da PwC Brasil.