Home Últimas Notícias Agronegócio reage em bloco contra ataques extremistas
Últimas Notícias

Agronegócio reage em bloco contra ataques extremistas

O Brasil tem uma oportunidade inédita de dar um novo salto de produtividade agrícola graças ao incremento de 20% projetado para a demanda global de alimentos em 10 anos. No entanto, para isso precisa uma estratégia nacional integrada, que ainda precisa ser construída.
Plenário do Senado Federal durante sessão solene do Congresso Nacional destinada a homenagear os 50 anos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o transcurso do 97º Dia Internacional do Cooperativismo. Em discurso, à tribuna, embaixador especial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação para o Cooperativismo Mundial; ministro de Estado de da Agricultura, Pucuária e Abastecimento, no período de 2003 a 2006, e presidente do Sistema OCB, no período de 1985 a 1991, Roberto Rodrigues. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Compartilhar

Entidades do setor agropecuário articularam-se no início desta semana para repudiar de forma unânime o vandalismo provocado por bolsonaristas radicais no domingo em Brasília. Lideranças do agro também tentou marcar uma reunião com dezenas de entidades do setor para elaborar uma posição única, que poderia ser publicada em forma de manifesto do agronegócio contra os atos de vandalismo.

A ideia é que o movimento descole a imagem do setor dos atos terroristas que destruíram os prédios dos Três Poderes em Brasília. De acordo com o jornal Valor, há suspeitas de que empresários do agro financiaram a participação de pessoas nesses atos.

Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura de Lula e hoje é professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que as organizações do agronegócio não admitem vandalismo e que não se pode culpar um setor específico pelos acontecimentos. ‘Tinha gente do agro como tinha gente de todo lugar. O produtor rural profissional repudia esse tipo de destruição e manifesta seu firme apoio à democracia e às instituições”, disse em entrevista ao Valor.

Associações do setor, como Abia (indústria de alimentos), Aprosoja-MT (soja e milho), Abag (agronegócio), ABPA (aves e suínos), ABCS (criadores de suínos), CropLife (insumos agropecuários), AsBraAP (agricultura de precisão), Aprobio (biodiesel), Abiove (óleos vegetais), Anffa Sindical (auditores agropecuários), Unica (cana-de-açúcar), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, OCB (cooperativas), Associação Paulista de Extensão Rural, Fórum Nacional Sucroenergético, Ubrabio (biocombustíveis), Abag-RP (Associação Brasileira do Agronegócio de Ribeirão Preto), além da bancada ruralista, se manifestaram publicamente durante a semana.

Rodrigues afirmou ao jornal Valor que a vinculação generalizada do agronegócio aos atos de vandalismo feita por Lula pode ser usada por quem tem interesses contra o setor produtivo brasileiro, mas que isso não deverá ter densidade. O ex-ministro ressaltou que o trabalho realizado para melhorar a imagem da agropecuária perante a população urbana e o público estrangeiro nos últimos anos não pode ser perdido por conta de “poucos radicais que não representam o agro institucional”.

Marcos Jank, coordenador do centro Insper Agro Global, disse ao Valor que acredita que as consequências dos atos não têm força para respingar na imagem do agronegócio, mas condena a vinculação entre a destruição promovida na capital federal e o setor.

“Dizer que o agro está por trás disso é um absurdo, é um erro. Não tem nada a ver com o agro em si, são pessoas dos mais variados setores que se iludiram com golpe de Estado”, afirmou.

Ele disse que é preciso superar a polarização em curso no país. “Não faz sentido a fala [do presidente Lula] e não ajuda. Nesse processo de unificação, pacificação e aceitação democrática, o presidente precisa conclamar todo mundo para isso”, acrescentou. “Dizer que um setor específico está fomentando isso é um equívoco. E se continuar fazendo isso, ele vai despertar mais confusão”.

Segundo Jank, a situação não deve afetar o início da gestão de Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, já que não há divergências no setor em relação ao tema.

“O agro foi rápido em classificar isso como atitudes indesejáveis”, disse. “O agro sempre condenou, no passado, a invasão de propriedade e de prédios públicos pelo MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra]. Isso vale agora para que o setor não tome nenhuma posição de defender processos antidemocráticos. E não há nenhum movimento, ninguém está apoiando isso”, afirmou em entrevista ao Valor.

Informações do Valor Econômico

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Grupo Pedra Agroindustrial inaugura fábrica de açúcar na usina Buriti

A Pedra Agroindustrial iniciou em setembro de 2026 a operação de sua...

Alojamentos oferecidos aos trabalhadores eram no meio do canavial, segundo os auditores Foto: Ministério Público do Trabalho
Últimas Notícias

Fiscalização resgata 67 trabalhadores em operação no corte de cana em Cabo Frio

Auditores apontaram jornadas exaustivas e condições degradantes; empresa afirma que empregados eram...

Brasil
Últimas Notícias

Biocombustíveis já somam R$ 289 bilhões em investimentos registrados no Brasil

Setor amplia atuação para aviação, transporte marítimo, máquinas agrícolas e biometano e...

Últimas Notícias

Cosan vende ativos, reduz dívida e ganha força para negociar Rumo

Grupo levantou quase R$ 2,6 bilhões com alienações e encaminhou recuperação da...